Por Cleber Lourenço
O relator da PEC da Segurança Pública, Mendonça Filho (União-PE), adiou a entrega do parecer, inicialmente prevista para esta quarta-feira (3), e confirmou que a nova apresentação ocorrerá apenas na próxima terça-feira (9).
Segundo ele, o recuo no calendário foi discutido após conversas com lideranças da Câmara, realizadas ainda na noite de terça-feira e na manhã de quarta. Essas tratativas indicaram que seria necessário mais tempo para ajustar pontos sensíveis da proposta.
Mendonça afirma que a mudança não significa recuo. Ele reforça que o texto está “bem consolidado”, mas precisa de ajustes políticos antes de chegar ao colégio de líderes, de modo a refletir uma construção mais ampla dentro da Casa.
“Conversei por telefone com o Pedro Campos, conversei também com o Lindbergh Farias, conversei com Rubens Pereira Júnior. A gente tem trocado algumas ideias de forma mais geral sobre o tema.”
O relator explicou que a remarcação ocorreu após um giro de articulação que envolveu telefonemas, reuniões e consultas a diferentes bancadas. Segundo Mendonça, houve consenso de que apresentar o texto hoje poderia gerar entraves adicionais.
Ele destacou que a presidência da Câmara participou diretamente da decisão. “Conversei ontem à noite e hoje de manhã com várias lideranças, e foi consenso que apresentar o texto hoje poderia travar mais do que ajudar”, disse.
A assessoria de Hugo Motta (Republicanos-PB) informou ao ICL Notícias que a reunião de líderes prevista para esta quarta-feira foi cancelada por motivos de saúde. O comunicado não detalha o problema, mas confirma que o encontro — considerado crucial para aferir o humor interno — não ocorrerá.
“A matéria está bem consolidada, mas é bom sempre aproveitar pra aprofundar essas conversas e chegar no colégio de líderes com um texto que reflita mais o sentimento da Casa.”
Mendonça defende que o adiamento permitirá “refinar a linguagem” do parecer e evitar ruídos em um momento de maior pressão política. Ele também diz que o acúmulo de conversas deve reduzir a chance de judicialização e disputas imediatas em torno da PEC.
O deputado afirma que a intenção é entregar um texto que represente o consenso possível. Perguntado se poderia se manifestar publicamente sobre as negociações, respondeu: “Não tem nenhuma reserva não”.
Com o adiamento e o cancelamento da reunião de líderes, a PEC entra em uma fase de espera estratégica.
Ao mesmo tempo ambiente político ficou ainda mais tenso após a liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que estabeleceu novas restrições para a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
A decisão gerou forte reação no Congresso e elevou o grau de atrito entre Legislativo e Judiciário. Parlamentares avaliam que os próximos dias serão decisivos para medir o impacto da decisão de Gilmar Mendes e definir o grau de adesão ao texto que será apresentado na próxima semana.