Por Cleber Lourenço
A votação da proposta de anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro foi confirmada para hoje após reunião de líderes e anunciada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. No centro das negociações, o relator Paulinho da Força afirma que está pronto para votar, mas rebate as críticas de Flávio Bolsonaro e diz que é o próprio PL — e não sua relatoria — quem impede o avanço do texto.
Em conversa com o ICL Notícias, Paulinho afirmou que Flávio “tem direito de falar o que quiser”, mas que a versão apresentada pelo senador não corresponde ao que ocorre nos bastidores. “Quem tá interditando a tramitação do meu relatório aqui é o PL, especialmente o Flávio. Eu estou disposto a votar. Só não estou disposto que eles façam emenda ou tentem destacar alguma coisa além do texto que eu tenho”, disse.
O relator destacou que seu parecer foi construído em acordo com líderes do centrão, com a presidência da Câmara e com “demais autoridades”. O texto busca limitar o alcance da anistia e evitar manobras que possam resultar em desgaste político para a Casa ou serem derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo Paulinho, Flávio Bolsonaro pressiona publicamente, mas não participa das negociações necessárias para consolidar o acordo. “Ele fica falando besteira aí, mas na hora que a gente chama, ele não topa votar, fica criando dificuldade”, afirmou.
O deputado diz que as mudanças defendidas pelo senador são inviáveis. “Ele não aparece pra conversar. O que ele quer é fazer um destaque para reduzir mais as penas ainda, e aí a gente não tem margem pra essa negociação”, afirmou Paulinho.
Integrantes do centrão também relataram ao relator que não pretendem assumir um desgaste duplo. “Os deputados dizem: ‘eu já vou apanhar da esquerda. Agora eles vão fazer um destaque que não vai pra lugar nenhum, porque o Supremo derrubaria, o Senado não vai querer votar, e nós vamos acabar apanhando da direita também’. Então por que vamos votar um negócio desses?”, relatou.
As declarações contrastam com a versão de Flávio Bolsonaro, que acusa Paulinho de travar a pauta e insiste que o plenário deve decidir sobre o futuro eleitoral de Jair Bolsonaro em 2026. Para Paulinho, porém, a única barreira real ao avanço da proposta é a resistência do PL em aceitar os limites do acordo construído.
Com a votação prevista para hoje, o relator afirma que o impasse só será superado se Flávio Bolsonaro recuar das tentativas de ampliar a anistia. Caso contrário, diz ele, a responsabilidade pela paralisação seguirá recaindo sobre o próprio PL.