Por Cleber Lourenço
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, cancelou, sem apresentar explicação objetiva, a reunião que faria nesta quarta-feira com cinco jornalistas escolhidos pelo Comitê de Imprensa da Casa. O encontro ocorreria às 15h30, no gabinete da Presidência, e havia sido solicitado justamente para que Motta se pronunciasse sobre a confusão deflagrada ontem no plenário.
A decisão de não receber a imprensa, comunicada apenas sob a alegação genérica de “conflito de agenda”, ampliou o clima de indignação entre profissionais que atuam diariamente na cobertura legislativa. O cancelamento ocorreu menos de 24 horas depois de seguranças da Câmara agredirem parlamentares e jornalistas durante a retirada do deputado Glauber Braga do plenário, após ele tentar ocupar a cadeira da Presidência.
Além das agressões — registradas por diversos ângulos e testemunhadas por dezenas de profissionais — a direção da Casa determinou novas restrições ao acesso da imprensa. Desde a manhã de hoje, jornalistas só podem entrar no plenário pela galeria lateral, e não pela entrada principal, como usualmente ocorre.
A medida foi adotada sem comunicação formal, sem nota pública e sem justificativa detalhada, aprofundando a percepção de que a Presidência tenta controlar a circulação e o trabalho da imprensa após o episódio de ontem.
Até o momento, nem Hugo Motta nem sua assessoria esclareceram qual seria o impedimento que motivou o cancelamento da reunião. A Presidência tampouco se manifestou sobre as agressões cometidas por agentes de segurança da Casa ou sobre a ordem que resultou na retirada de Glauber Braga do plenário. Assessores limitam-se a afirmar que o cancelamento ocorreu por motivo de agenda, sem explicar qual compromisso se sobrepôs.
Nos bastidores, a avaliação de parlamentares é que Motta perdeu o controle da situação ontem e agora tenta evitar uma coletiva que poderia se transformar em um constrangimento público maior. Entre deputados ouvidos pela coluna, a percepção é de que o episódio deixou marcas políticas e institucionais, sobretudo porque envolveu violência contra parlamentares e profissionais de imprensa dentro do Parlamento — um ambiente que deveria garantir transparência, fiscalização e livre exercício da atividade jornalística.
Enquanto a Presidência silencia, permanece o clima de tensão na cobertura cotidiana: jornalistas seguem trabalhando com acesso reduzido, sem esclarecimentos sobre quando — ou se — as regras anteriores serão restabelecidas.