Além da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., o Banco Central também decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio, instituição com sede em São Paulo. A decisão foi comunicada ao mercado pelo Departamento de Resolução e de Ação Sancionadora (Derad). Segundo o BC, os dois casos não têm relação entre si.
De acordo com a autoridade monetária, a medida foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da Advanced e por “graves violações às normas” que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Apesar de seu porte relativamente menor, a Advanced teve participação expressiva no mercado de câmbio em 2025. A corretora ocupou a 56ª posição no ranking do Banco Central, respondendo por 0,081% do volume financeiro e 0,14% da quantidade total de operações realizadas no país.
No acumulado do ano, a instituição movimentou R$ 3,573 bilhões. Com esse volume, figurou como a segunda maior corretora de câmbio em movimentação financeira em 2025, atrás apenas da Wise, que registrou R$ 21,6 bilhões.
Diferenças entre corretoras e bancos de câmbio
Corretoras de câmbio, como a Advanced, podem intermediar operações entre clientes e bancos ou comprar e vender moeda estrangeira diretamente a seus clientes, inclusive por meio de correspondentes cambiais. Essas instituições, no entanto, operam com restrições regulatórias.
Os bancos de câmbio, por sua vez, não têm limites de valor para transações e podem realizar operações adicionais, como financiamentos à exportação e importação, além de adiantamentos sobre contratos de câmbio.
Deterioração financeira e índices negativos
Dados do monitor IFData, que reúne informações financeiras de instituições reguladas pelo Banco Central, mostram que a situação da Advanced se deteriorou ao longo de 2025. No fim do terceiro trimestre, último dado disponível, a corretora apresentava patrimônio de referência negativo de R$ 17,335 milhões.
O índice de Basileia — indicador internacional que mede a solidez financeira das instituições e deve permanecer acima de 11% — estava negativo em 9,80%. Em março do mesmo ano, o patrimônio ainda era positivo, em R$ 14,85 milhões, e o índice de Basileia, embora abaixo do mínimo regulatório, marcava 5,43%.
Nomeação de liquidante e bloqueio de bens
O Banco Central nomeou Fabiano Fabri Bayarri como liquidante extrajudicial da Advanced. Ele terá amplos poderes de administração, liquidação e representação da instituição durante o processo.
Com a decretação da liquidação, ficaram indisponíveis os bens dos controladores Francisco Eduardo de Oliveira Castro e Ricardo Augusto Cardoso, que também constam como ex-administradores da corretora, conforme prevê a legislação.
A autarquia informou que continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades, o que pode resultar em sanções administrativas adicionais e no compartilhamento de informações com outras autoridades competentes.
Processo de liquidação
Eventuais informações sobre bens ou valores registrados em nome da Advanced Corretora de Câmbio devem ser comunicadas diretamente ao liquidante, responsável por conduzir o processo a partir de São Paulo.
A liquidação extrajudicial é um instrumento utilizado pelo Banco Central para encerrar de forma ordenada as atividades de instituições que não apresentam mais condições de operar regularmente, com o objetivo de preservar os direitos de clientes e credores e proteger a estabilidade do sistema financeiro.
Veja a nota do BC abaixo:
O Banco Central decretou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio Ltda., com sede em São Paulo (SP).
A corretora está enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial, tem baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional e ocupa a 56ª posição no ranking de câmbio do Banco Central, considerando as operações realizadas em 2025. Neste período, suas operações representaram 0,081% do volume financeiro e 0,14% da quantidade de operações de câmbio cursadas no SFN.
A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.