Em crise financeira, Correios colocam imóveis à venda e avançam em plano de ajuste

Leilões de bens, demissões voluntárias e fechamento de agências também fazem parte da estratégia
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Os Correios anunciaram a colocação de imóveis da estatal à venda como parte do plano de reestruturação destinado a equilibrar a situação financeira da empresa. Segundo comunicado divulgado na última sexta-feira (6), os primeiros leilões estão previstos para os dias 12 e 26 de fevereiro.

Nesta etapa inicial, serão ofertados 21 imóveis, com a expectativa de arrecadar até R$ 1,5 bilhão até dezembro, somando-se a venda de outros ativos que ainda estão em fase de preparação. O portfólio inclui prédios administrativos, antigos complexos operacionais, terrenos, galpões, lojas e apartamentos funcionais, com valores iniciais que variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões.

Os bens estão localizados em ao menos 13 estados, entre eles Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo e Mato Grosso.

De acordo com a estatal, os recursos obtidos com as vendas serão direcionados ao fortalecimento das operações, à modernização da infraestrutura logística e à sustentabilidade de longo prazo da empresa.

Plano de desligamento prevê até 15 mil demissões

Paralelamente à alienação de ativos, os Correios avançaram no plano de redução de pessoal. Na semana passada, foi aberta a inscrição para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV).

Conforme o plano anunciado em dezembro, a expectativa é de que até 15 mil empregados deixem a empresa até 2027. As demissões devem ocorrer ao longo de 2026 e 2027, com cerca de 10 mil desligamentos neste ano e outros cinco mil no próximo. A estimativa da empresa é de uma economia anual de R$ 2,1 bilhões com a medida.

Fechamento de agências e déficit persistente

Entre as medidas estruturais, os Correios também preveem o fechamento de mil agências deficitárias, o que deve gerar uma economia adicional estimada em R$ 2,1 bilhões. Mesmo com esse conjunto de ações, a estatal projeta um déficit em torno de R$ 9 bilhões este ano. A expectativa oficial é de que os Correios só voltem a registrar lucro a partir de 2027.

O plano de reestruturação busca reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos. Atualmente, a empresa enfrenta um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, atribuído principalmente aos custos da universalização do serviço postal em regiões remotas do país.

Principais medidas do plano de reestruturação

Entre as ações anunciadas pelos Correios estão:

  • Empréstimo de R$ 12 bilhões (R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 2 bilhões em 2026).
  • Nova operação de crédito de R$ 8 bilhões prevista para 2026.
  • Plano de desligamento voluntário para até 15 mil funcionários, com economia anual de R$ 2,1 bilhões.
  • Revisão dos planos de saúde, com economia estimada em R$ 700 milhões.
  • Fechamento de mil agências e redesenho da malha operacional, com impacto positivo de R$ 2,1 bilhões.
  • Ampliação de parcerias e diversificação de atividades, incluindo serviços financeiros e seguros, com ganho esperado de R$ 1,7 bilhão.
  • Venda e alienação de imóveis e ativos, com receita estimada em R$ 1,5 bilhão.
  • Empréstimo de R$ 4,4 bilhões junto ao banco dos Brics (fórum internacional que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para modernização tecnológica.
  • Contratação de consultoria para revisão do modelo organizacional e societário.
Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.