Ansiedade é a segunda maior causa de mortalidade no mundo. Cerca de um terço dos adultos dos EUA terá um transtorno de ansiedade ao longo da vida, com idade média de início aos 17 anos.
Um estudo da Psychiatry International com mais de 2.400 adultos entre 18 e 30 anos apontou que receber apoio emocional nas redes sociais está associado a níveis mais baixos de ansiedade, especialmente entre mulheres.
O efeito aparece de forma desigual entre perfis de personalidade. Pessoas com alta abertura a experiências, alta extroversão e baixa conscienciosidade relatam maior percepção desse apoio. O problema é que os feeds não foram desenhados para oferecer apoio, foram desenhados para prender atenção.
Rede social virou rolar vídeos verticais sem parar. Segundo dados da Sensor Tower, mais da metade dos anúncios do Instagram agora são exibidos em Reels. Nos EUA, Reels já é 46% do tempo gasto no app. A Meta empurra conteúdo de gente que você não segue, até 20% dos posts no seu feed vêm de fora da sua rede.
O resultado prático: menos interação com conhecidos e mais consumo isolado de um fluxo algorítmico. Isso “dessocializa” as plataformas. O feed não organiza conteúdo, organiza estados mentais e a ansiedade é um deles.
Professores de cinema nos EUA relatam que alunos não conseguem assistir filmes inteiros, segundo reportagem da The Atlantic. Mesmo em cursos de cinema. Na Indiana University, menos de 50% iniciavam os filmes obrigatórios e só 20% chegavam ao final. Adolescentes passam quase cinco horas diárias em redes sociais e trocam de aba no computador a cada 47 segundos. Em 2004, era uma vez a cada dois minutos e meio.
Um estudo da Psychological Bulletin analisou quase 100 mil pessoas e encontrou associação consistente entre consumo de vídeos curtos e pior desempenho cognitivo, com efeitos mais fortes em atenção e controle inibitório. O formato de rolagem infinita favorece padrões mentais voltados à distração constante.
Uma revisão longitudinal conduzida pelo neurocientista Jared Cooney Horvath, com dados de 80 países, aponta a Geração Z como a primeira em mais de um século a apresentar desempenho inferior ao da geração anterior em testes acadêmicos. A substituição de livros por conteúdos condensados favorece “passar o olho” sem absorver o que está consumindo.
O feed não entrega o que você quer. Entrega o que prende atenção e é melhor para os negócios. Recuperar concentração, ler devagar, assistir filmes inteiros, pensar profundamente, tudo isso virou resistência.