Por Cleber Lourenço
A possível composição entre o senador Rodrigo Pacheco e o deputado Aécio Neves para as eleições de 2026 em Minas Gerais expôs divergências dentro do PT e abriu uma disputa narrativa sobre a origem das especulações.
Nos últimos dias, colunas políticas noticiaram que Pacheco, que deve disputar o governo mineiro, avaliaria montar uma chapa ampla, incluindo Aécio como candidato ao Senado. A hipótese, no entanto, enfrenta resistência dentro do PT, partido considerado peça-chave para a viabilidade eleitoral do senador.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que retirar o PT da chapa para incluir Aécio “levaria a um rompimento” com o partido. Segundo ele, o desenho mais próximo da realidade envolveria Pacheco ao governo e nomes como Marília Campos (PT), Alexandre Silveira ou Alexandre Kalil na disputa ao Senado. Nesse cenário, o PSDB não integraria a chapa majoritária.
Rogério também apontou que Aécio tem “rejeição muito grande no Estado” e o classificou como “persona non grata no PT”. Para o deputado, o ex-governador, ao lado de Eduardo Cunha e Michel Temer, teria sido um dos “percussores do bolsonarismo e da traição”.
Já o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) adotou tom mais pragmático. Ele confirmou que Pacheco busca “uma frente ampla” e afirmou que o PT participará da chapa com a indicação de uma vaga ao Senado.

“Eu defendo não impor veto a nenhum possível aliado de Pacheco”, disse Reginaldo. Questionado sobre um eventual modelo com Pacheco governador, Marília Campos e Aécio ao Senado, respondeu: “Não será esse modelo”. Segundo ele, o número de candidatos ao Senado dependerá do tamanho da coalizão e das combinações partidárias.
Nos bastidores, membros do PT que participam das articulações com Pacheco avaliam que as notícias sobre uma eventual aliança com Aécio teriam partido do próprio deputado tucano, como forma de testar seu nome na imprensa e medir a reação política.
A leitura desses interlocutores é que, até o momento, não há tratativa formal consolidada entre Pacheco e Aécio. A avaliação é de que o senador precisa equilibrar a construção de uma aliança ampla com a manutenção do apoio petista, considerado estratégico tanto para a eleição estadual quanto para o palanque presidencial de 2026.
Minas Gerais terá duas vagas ao Senado em disputa, o que amplia o espaço de negociação. O desenho final da chapa dependerá do tamanho da coalizão e da capacidade de Pacheco de conciliar interesses do centro e da esquerda sem provocar rupturas antecipadas.
No momento, a frente ampla defendida por Pacheco ainda está em fase de construção. E, dentro do PT mineiro, o debate sobre limites e alianças segue aberto.