A estatal de energia do Catar, QatarEnergy, que envia 82% da sua produção de gás natural liquefeito (GNL) para a Ásia, anunciou nesta terça-feira (3) a interrupção da fabricação de novos produtos químicos e industriais. A medida foi adotada um dia depois de a companhia já ter suspendido a produção de GNL, intensificando os impactos no mercado internacional de energia.
Além do GNL, a paralisação agora atinge itens como ureia, polímeros, metanol, alumínio e outros derivados industriais. A ampliação da suspensão reforça as preocupações sobre o abastecimento global, especialmente em um momento de forte instabilidade geopolítica.
A interrupção anterior na produção de GNL já havia provocado uma reação imediata nos preços do gás. No Reino Unido, por exemplo, as cotações dispararam 93% em apenas uma semana, refletindo o receio dos investidores e a volatilidade no fornecimento.
Em comunicado oficial, a empresa afirmou que mantém diálogo com seus parceiros e partes interessadas e que seguirá atualizando o mercado à medida que novas informações estiverem disponíveis.
Paralisação deve afetar economia da Ásia
O analista Shanaka Anslem Perera, do Sri Lanka, afirma que 82% do GNL do Catar é destinado à Ásia. “A China depende do Catar para 30% de suas importações de GNL. A Índia, de 42% a 52%. A Coreia do Sul, de 14% a 19%. Taiwan, 25%. O Japão já estaria racionando para o mercado à vista”
Segundo o analista, os preços de referência asiáticos subiram 39% no dia em que a produção foi interrompida. “As empresas indianas já reduziram o fornecimento de gás para a indústria em 10 a 30%. Isso não é um ajuste de mercado. São fábricas operando com capacidade reduzida hoje, em todo o continente mais populoso do mundo”, afirmou Shanaka em uma rede social.
Ele ainda lembra que são necessárias duas semanas para reiniciar uma unidade de liquefação após uma parada completa a frio. “Depois, mais duas semanas para atingir a capacidade total. Isso representa um mínimo de quatro semanas em condições de inatividade total, assumindo que não haja novas greves, complicações de segurança ou atrasos nas inspeções. A guerra ainda está em curso. Não há garantia de segurança. Não há prazo para reiniciar. Não há limite mínimo de segurança.”
Escalada militar no Oriente Médio pressiona mercados
A decisão da QatarEnergy ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. No sábado (28), forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram ataques conjuntos contra o Irã, com explosões registradas em diferentes pontos de Teerã.
Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a participação americana na ofensiva e declarou que a ação fazia parte de uma estratégia para pressionar o regime iraniano em relação ao seu programa nuclear. Washington e Tel Aviv vinham reiterando a possibilidade de intervenção, alegando preocupações com o avanço nuclear iraniano. O governo de Teerã, por sua vez, sempre sustentou que seu programa tem fins pacíficos.
Durante a operação militar, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi morto, assim como integrantes de alto escalão do governo. Em resposta, o Irã lançou múltiplas ondas de mísseis balísticos contra alvos em Israel e contra bases militares americanas instaladas em países da região.