Israel ampliou nesta segunda-feira (16) sua ofensiva militar no sul do Líbano com o envio de tropas terrestres para novas áreas do território, em uma operação voltada contra o grupo armado Hezbollah. A ação marca uma nova fase da campanha militar israelense contra a facção libanesa, apoiada pelo Irã, e ocorre em meio à escalada regional provocada pelos recentes confrontos envolvendo Teerã, Washington e Tel Aviv.
De acordo com o porta-voz do Exército israelense, o tenente-coronel Nadav Shoshani, soldados passaram a operar em regiões onde as forças israelenses não estavam presentes anteriormente. Em conversa com jornalistas, o militar classificou as ações como “operações terrestres limitadas e direcionadas”, sem detalhar até onde as tropas avançarão dentro do território libanês nem se haverá estabelecimento permanente de novas posições.

Israel no Líbano
Atualmente, Israel mantém cinco posições militares no sul do Líbano, estabelecidas após o cessar-fogo firmado com o Hezbollah que encerrou o último conflito entre as partes em 2024. O avanço mais recente representa, segundo analistas e autoridades locais, uma intensificação da pressão militar de Tel Aviv na região.
Relatos de autoridades de segurança libanesas à agência Reuters indicam que tropas israelenses cercaram no fim de semana a cidade estratégica de Khiyam, situada a cerca de seis quilômetros da fronteira com Israel. Segundo essas fontes, o Exército israelense teria assumido efetivamente o controle da localidade e estaria avançando em direção ao rio Rio Litani. Caso esse movimento se confirme, amplas áreas do sul do Líbano podem ficar isoladas do restante do país.
O governo israelense afirma que a operação tem como objetivo proteger o território nacional contra ataques do Hezbollah. Segundo Tel Aviv, o grupo tem lançado, em média, cerca de cem foguetes e drones por dia contra Israel desde o início da atual escalada.
Vítimas
O conflito já provocou vítimas em ambos os lados. Autoridades israelenses confirmaram a morte de dois soldados em combates no sul do Líbano durante a atual campanha militar. No território libanês, o governo informou que mais de 800 pessoas morreram desde o início das hostilidades e cerca de 800 mil foram obrigadas a deixar suas casas, principalmente no sul do país e em áreas próximas à capital, Beirute.
Na sexta-feira (13), a ofensiva israelense incluiu a destruição de uma ponte no sul do Líbano e a distribuição de panfletos em Beirute com ameaças de uma devastação semelhante à registrada na Faixa de Gaza. As mensagens advertiam a população sobre possíveis ataques caso os confrontos continuem.
A atual escalada também está ligada ao cenário regional envolvendo o Irã. O Hezbollah entrou no conflito em apoio ao regime iraniano após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no país persa. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmaram que as operações têm como objetivo desmantelar o programa nuclear iraniano e pressionar por uma mudança de regime.
Durante esses ataques, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu. Dias depois, seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a liderança do país.

Criado em 1982 por clérigos xiitas com apoio iraniano, o Hezbollah tornou-se ao longo das décadas um dos principais aliados regionais de Teerã e atua como força política e militar no Líbano e também na Síria. O governo libanês tenta há anos reduzir o poder armado do grupo, mas enfrenta dificuldades para avançar na medida sem provocar instabilidade interna ou um novo conflito civil.
Pelo acordo de cessar-fogo firmado após a guerra de 2024, o Hezbollah deveria retirar suas forças do sul do Líbano, enquanto o Exército libanês assumiria o controle da região em troca do fim dos bombardeios israelenses. Israel, no entanto, acusa o governo de Beirute de não cumprir integralmente o acordo e afirma ter mantido ataques aéreos frequentes contra posições e arsenais da organização.
Mesmo com a ofensiva recente, autoridades israelenses dizem que o poder militar do Hezbollah foi enfraquecido desde a guerra anterior, mas ainda representa uma ameaça significativa, com centenas de foguetes em seu arsenal.