Israel amplia ofensiva no sul do Líbano e envia tropas contra o Hezbollah

Operação terrestre avança para novas áreas do território libanês enquanto confrontos deixam mortos e milhares de deslocados
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Israel ampliou nesta segunda-feira (16) sua ofensiva militar no sul do Líbano com o envio de tropas terrestres para novas áreas do território, em uma operação voltada contra o grupo armado Hezbollah. A ação marca uma nova fase da campanha militar israelense contra a facção libanesa, apoiada pelo Irã, e ocorre em meio à escalada regional provocada pelos recentes confrontos envolvendo Teerã, Washington e Tel Aviv.

De acordo com o porta-voz do Exército israelense, o tenente-coronel Nadav Shoshani, soldados passaram a operar em regiões onde as forças israelenses não estavam presentes anteriormente. Em conversa com jornalistas, o militar classificou as ações como “operações terrestres limitadas e direcionadas”, sem detalhar até onde as tropas avançarão dentro do território libanês nem se haverá estabelecimento permanente de novas posições.

Local bombardeado por Israel durante a noite, nos subúrbios a sul de Beirute, em 16 de março de 2026 (Foto: AFP)

Israel no Líbano

Atualmente, Israel mantém cinco posições militares no sul do Líbano, estabelecidas após o cessar-fogo firmado com o Hezbollah que encerrou o último conflito entre as partes em 2024. O avanço mais recente representa, segundo analistas e autoridades locais, uma intensificação da pressão militar de Tel Aviv na região.

Relatos de autoridades de segurança libanesas à agência Reuters indicam que tropas israelenses cercaram no fim de semana a cidade estratégica de Khiyam, situada a cerca de seis quilômetros da fronteira com Israel. Segundo essas fontes, o Exército israelense teria assumido efetivamente o controle da localidade e estaria avançando em direção ao rio Rio Litani. Caso esse movimento se confirme, amplas áreas do sul do Líbano podem ficar isoladas do restante do país.

O governo israelense afirma que a operação tem como objetivo proteger o território nacional contra ataques do Hezbollah. Segundo Tel Aviv, o grupo tem lançado, em média, cerca de cem foguetes e drones por dia contra Israel desde o início da atual escalada.

Vítimas

O conflito já provocou vítimas em ambos os lados. Autoridades israelenses confirmaram a morte de dois soldados em combates no sul do Líbano durante a atual campanha militar. No território libanês, o governo informou que mais de 800 pessoas morreram desde o início das hostilidades e cerca de 800 mil foram obrigadas a deixar suas casas, principalmente no sul do país e em áreas próximas à capital, Beirute.

Na sexta-feira (13), a ofensiva israelense incluiu a destruição de uma ponte no sul do Líbano e a distribuição de panfletos em Beirute com ameaças de uma devastação semelhante à registrada na Faixa de Gaza. As mensagens advertiam a população sobre possíveis ataques caso os confrontos continuem.

A atual escalada também está ligada ao cenário regional envolvendo o Irã. O Hezbollah entrou no conflito em apoio ao regime iraniano após ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no país persa. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmaram que as operações têm como objetivo desmantelar o programa nuclear iraniano e pressionar por uma mudança de regime.

Durante esses ataques, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu. Dias depois, seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a liderança do país.

Faixas, outdoors e banners do novo líder supremo do Irã foram instaladas em Teerã (Foto: AFP)

Criado em 1982 por clérigos xiitas com apoio iraniano, o Hezbollah tornou-se ao longo das décadas um dos principais aliados regionais de Teerã e atua como força política e militar no Líbano e também na Síria. O governo libanês tenta há anos reduzir o poder armado do grupo, mas enfrenta dificuldades para avançar na medida sem provocar instabilidade interna ou um novo conflito civil.

Pelo acordo de cessar-fogo firmado após a guerra de 2024, o Hezbollah deveria retirar suas forças do sul do Líbano, enquanto o Exército libanês assumiria o controle da região em troca do fim dos bombardeios israelenses. Israel, no entanto, acusa o governo de Beirute de não cumprir integralmente o acordo e afirma ter mantido ataques aéreos frequentes contra posições e arsenais da organização.

Mesmo com a ofensiva recente, autoridades israelenses dizem que o poder militar do Hezbollah foi enfraquecido desde a guerra anterior, mas ainda representa uma ameaça significativa, com centenas de foguetes em seu arsenal.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail