Governo avalia ampliar mistura de etanol na gasolina para conter alta do preço

Já no diesel, além da possível desoneração do biodiesel, também está em debate o aumento da mistura obrigatória, hoje em 15%
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Diante da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, o governo federal estuda novas medidas para reduzir os impactos no bolso dos consumidores, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Entre as alternativas em discussão está o aumento da mistura de etanol na gasolina — dos atuais 30% para 32% — e a possível extensão da isenção de PIS/Cofins ao biodiesel, nos moldes do que já foi feito com o diesel.

A iniciativa surge em meio às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que pressionaram os preços do petróleo globalmente. O barril do tipo Brent chegou a superar US$ 119 recentemente, refletindo ataques a instalações energéticas no Oriente Médio e restrições no transporte de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz.

As propostas estão sendo analisadas por técnicos do Ministério de Minas e Energia e do Ministério da Fazenda como parte de um pacote mais amplo para suavizar os efeitos da alta dos combustíveis. Até agora, o governo já anunciou a redução de tributos sobre o diesel e subsídios para tentar conter reajustes.

No caso da gasolina, a ideia é elevar a participação do etanol — medida conhecida como E32. No entanto, especialistas destacam que a mudança depende de estudos técnicos para garantir que não haja prejuízo ao desempenho dos motores. Após essa etapa, a proposta ainda precisaria ser aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Já no diesel, além da possível desoneração do biodiesel, também está em debate o aumento da mistura obrigatória, hoje em 15%. Representantes do setor defendem a elevação para 16%, enquanto o governo já encomendou estudos para avaliar percentuais ainda maiores no futuro.

Preço do diesel é mais vulnerável devido às importações

Apesar de a gasolina sofrer menos pressão — já que o Brasil tem alta capacidade de produção interna via Petrobras —, o diesel continua sendo mais vulnerável, por depender significativamente de importações.

Nesse contexto, o uso maior de biocombustíveis pode ajudar a reduzir a exposição aos preços internacionais e ampliar a segurança energética. Ainda assim, o governo também avalia medidas complementares, como a possibilidade de autorizar a importação de biodiesel e ajustes tributários para manter equilíbrio entre os combustíveis.

As discussões ganham urgência diante do risco de insatisfação no setor de transporte. O aumento do diesel tem gerado pressão de caminhoneiros, que já sinalizam possibilidade de paralisações — um cenário que preocupa o governo pelos impactos econômicos e políticos.

Além disso, as propostas também têm repercussão no Congresso Nacional, onde tramita a medida provisória que reduziu impostos sobre o diesel. O texto já recebeu centenas de emendas, incluindo sugestões para ampliar os benefícios a outros combustíveis.

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