ANP: Diesel acumula alta de 23,5% em um mês com impacto da guerra no Oriente Médio

Mesmo com desaceleração recente, preço do combustível segue pressionado pelo petróleo
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Após semanas de forte escalada, o preço do diesel começou a mostrar sinais de desaceleração no Brasil, embora ainda acumule alta expressiva no período recente. Dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta sexta-feira (27) indicam que o valor médio do litro chegou a R$ 7,45, avanço de 2,62% em apenas uma semana.

Apesar do ritmo menor, o aumento acumulado desde o fim de fevereiro é significativo. Em 28 de fevereiro, o litro do diesel custava, em média, R$ 6,03. Um mês depois, o valor subiu 23,55%, refletindo o impacto direto da valorização do petróleo no mercado internacional.

A recente desaceleração nos preços está associada a dois fatores principais. O primeiro é a estabilização do petróleo no mercado internacional. Após forte alta ao longo do mês, o barril praticamente não variou na última semana, passando de US$ 106,41 para US$ 106,47.

O segundo fator é a intervenção do governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou medidas para reduzir o impacto da alta, incluindo a isenção de tributos federais e a criação de incentivos financeiros para produtores e importadores de diesel.

Diferenças regionais ampliam variação de preços

O levantamento da ANP também evidencia grande disparidade regional nos preços dos combustíveis. No caso do diesel, o maior valor encontrado foi de R$ 9,35, em Porto Seguro (BA), enquanto o menor foi registrado em Mococa (SP), a R$ 5,47.

Outros combustíveis também apresentaram alta no período. A gasolina teve preço médio de R$ 6,78 por litro, com avanço de 1,95%, enquanto o etanol registrou média de R$ 4,72, alta de 0,43%.

A principal origem da alta está no cenário internacional. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112 ao longo do mês — uma valorização de 86,67%.

Como o diesel é o principal combustível utilizado no transporte de cargas no Brasil, o aumento tem efeito direto sobre o custo do frete. Esse impacto tende a se espalhar pela cadeia produtiva, pressionando preços de diversos produtos e contribuindo para a inflação.

Movimento atípico levanta suspeitas

A velocidade do reajuste chamou atenção de autoridades e agentes do setor. Tradicionalmente, mudanças nos preços dos combustíveis acompanham ajustes anunciados pela Petrobras, o que não ocorreu neste caso.

Diante disso, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu investigação após denúncias de sindicatos, que apontaram aumentos considerados elevados em diversas regiões, mesmo sem alterações prévias nas refinarias.

Para enfrentar o cenário, o governo federal anunciou um conjunto de medidas com foco na redução de preços e na garantia de abastecimento. Entre elas estão a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, reduzindo o preço em R$ 0,32 por litro, e a criação de uma subvenção no mesmo valor para produtores e importadores.

Também foram adotadas medidas como o aumento do imposto de exportação sobre o petróleo e o reforço na fiscalização para assegurar que os benefícios sejam repassados ao consumidor final.

Consumidor deve ficar atento a práticas abusivas

Em meio à volatilidade dos preços, órgãos de defesa do consumidor alertam para possíveis irregularidades. Segundo especialistas, é fundamental que os postos apresentem informações claras sobre valores e condições de pagamento.

Práticas como anunciar um preço e aplicar outro conforme a forma de pagamento podem ser consideradas enganosas e passíveis de punição.

A caracterização de preços abusivos não depende de um percentual fixo, mas da ausência de justificativa para o aumento. Nesses casos, o consumidor pode recorrer a órgãos como a ANP e o Procon.

A análise costuma considerar fatores como o valor cobrado na bomba e os custos de aquisição do combustível pelo posto. Caso seja identificada irregularidade, o estabelecimento pode ser penalizado.

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