Em corrida espacial com a China, EUA voltam a mandar astronautas à Lua

Missão ocorre mais de 50 anos depois de última viagem da Nasa para a Lua e marca início de corrida com a China por hegemonia no espaço
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No filme Não Olhe Para Cima, os personagens interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence tentam alertar ao mundo que a Terra corre risco e que a humanidade poderia entrar em extinção diante do que seria um choque de um cometa. Mas Meryl Streep, interpretando a presidente dos EUA, opta por outro caminho. O negacionismo científico é traduzido numa ordem do governo para que as pessoas não olhem para o céu.

Nesta quarta-feira, porém, Donald Trump vai pedir que os americanos façam exatamente o contrário e que deixem de olhar o que está ocorrendo no planeta, no preço do combustível, no custo de vida, no impasse no Irã e ao fato de ter sido esnobado por aliados para focar seus olhos no espaço.

Se nenhuma surpresa aparecer, a Nasa vai lançar quatro astronautas para uma viagem de dez dias ao redor da Lua. A tripulação — composta pelos astronautas da NASA Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover, e pelo astronauta canadense Jeremy Hansen — será a primeira a ser lançada em direção à Lua desde a missão Apollo 17, em 1972, há mais de 50 anos.

Koch ainda entrará para a história como a primeira mulher enviada para a Lua. Desta vez, eles não pousarão na superfície lunar e apenas percorrerão seu entorno. O pouso deve ocorrer apenas em 2028 e, em 2030, a meta é a de ter uma base na Lua.

A missão chamada de Artemis cumpre uma função geopolítica crítica. Numa Ordem Executiva, Trump ainda afirmava que a superioridade espacial dos EUA era uma prioridade, principalmente diante da concorrência chinesa.

Para o administrador da Nasa, Jared Isaacman, o momento é de uma nova corrida pelo espaço.
“Encontramos um verdadeiro rival geopolítico, desafiando a liderança americana na corrida espacial”, disse em 24 de março. “Desta vez, o objetivo não são bandeiras e pegadas. Desta vez, o objetivo é permanecer. Os Estados Unidos nunca mais desistirão da Lua”, insistiu.

A China tem seus objetivos explícitos de também colocar astronautas na Lua nos próximos anos. Mas, ao contrário do que ocorreu há décadas, a competição não é apenas pelas mentes daqueles que estão no planeta.

As buscas por hélio-3, gelo de água e terras raras como lítio e platina colocam a Lua como parte da estratégia das superpotências pelo controle de recursos naturais pelas próximas décadas.

Para analistas, trata-se de o equivalente a uma “corrida do ouro lunar”. Na Casa Branca, os objetivos são explícitos.

“Com as políticas ‘América Primeiro’ do Presidente Trump, os Estados Unidos liderarão a humanidade no espaço e entrarão em uma nova era de conquistas inovadoras em tecnologia e exploração espacial”, disse a porta-voz Liz Huston.

Vista como uma das instituições apartidárias, a Nasa é ainda uma das apostas de Trump para criar algum sentimento de união nacional. Principalmente quando vive um dos momentos mais negativos em termos de sua popularidade.

 

A disputa pelo espaço não é só científica. Ela envolve dados, recursos e quem define as regras do próximo ciclo tecnológico. Para investigar como a China se posiciona nesse cenário, Eduardo Moreira foi ao país e analisou a relação entre tecnologia, Estado e estratégia. Exibição gratuita em 12 de abril, domingo, às 20h, ao vivo e sem replay. Garanta sua vaga.

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