Trump vai à Suprema Corte para julgamento da cidadania por ‘direito de nascimento’

Ordem executiva do presidente marca análise de medida que pode restringir direito garantido há mais de 150 anos
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Em contradição com a 14ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos — em vigor há mais de 150 anos e responsável por garantir a cidadania automática a todos os nascidos no país — Donald Trump compareceu pessoalmente à Suprema Corte dos Estados Unidos nesta semana. Em um gesto inédito para um presidente, ele acompanhou o julgamento do caso conhecido como “Trump versus Barbara”, que discute o fim do direito à cidadania por nascimento em solo americano.

A ordem executiva assinada por Trump busca excluir desse direito filhos de imigrantes em situação irregular ou com vistos temporários. A iniciativa enfrenta forte resistência no Judiciário. Ainda em fevereiro, um juiz federal bloqueou a aplicação da medida, classificando-a como inconstitucional.

Em decisão posterior, o magistrado John Coughenour, de Seattle, suspendeu o decreto por tempo indeterminado e criticou duramente a postura do governo. “O Estado de Direito, para o presidente, parece ser apenas um obstáculo”, afirmou o juiz, ao acusar a administração de tentar contornar garantias constitucionais consolidadas.

A presença de Trump no tribunal chamou atenção não apenas pelo simbolismo, mas também pelo caráter inédito. Foi a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos compareceu pessoalmente na Suprema Corte para acompanhar um julgamento. O gesto acabou sendo visto como uma tentativa de pressionar e influenciar a decisão.

O caso ganhou maior repercussão após uma imigrante de Honduras, conhecida como Barbara, entrar na Justiça contra a medida. Grávida, ela contestou a possibilidade do filho, nascido nos Estados Unidos, não ter direito automático à cidadania.

Durante mais de duas horas de sessão, ministros da Suprema Corte dos Estados Unidos demonstraram dúvidas sobre a legalidade da proposta do governo, indicando resistência à mudança.

Caso a medida seja validada, o impacto pode ser gigante. Estimativas indicam que cerca de 250 mil crianças por ano deixariam de ter direito automático à cidadania americana. A mudança também pode exigir que famílias comprovem o status dos filhos, afetando, principalmente, as comunidades de  imigrantes; foco do governo de Trump.

A decisão final da Suprema Corte dos Estados Unidos deve sair até o fim do primeiro semestre e pode manter o entendimento atual ou alterar de forma significativa as regras de cidadania no país.

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