O governo brasileiro indicou Guilherme Santos Mello para integrar o Conselho de Administração da Petrobras. A estatal informou que a indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda será submetida à Assembleia Geral Ordinária (AGO), marcada para 16 de abril, e que o governo solicitou que Mello também seja considerado para a presidência do colegiado.
Atualmente, Mello preside o Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e integra o conselho da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA). Doutor em Economia pela Universidade de Campinas (Unicamp), ele é professor licenciado do Instituto de Economia da mesma universidade e coordena o programa de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico.

A Petrobras ressaltou que todas as indicações passam por análise de requisitos legais, de gestão e integridade, conforme seus procedimentos de governança e Política de Indicação de Membros da Alta Administração.
Na mesma noite, a Petrobras anunciou que Marcelo Weick Pogliese assumirá interinamente a presidência do Conselho de Administração até a eleição de um novo presidente na AGO.
Weick, que já era conselheiro, é advogado e ocupa o cargo de secretário especial de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República.
Ele substitui Bruno Moretti, que deixou a presidência do conselho ao assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento. A transição ocorre em um contexto de forte atenção do governo sobre decisões estratégicas da estatal, especialmente após episódios que impactaram os preços de combustíveis.
Reestruturação na diretoria executiva
O Conselho de Administração também aprovou mudanças na diretoria executiva. Claudio Romeo Schlosser, responsável pela Diretoria de Logística, Comercialização e Mercados, teve antecipado o encerramento de seu mandato, conforme decisão em reunião realizada na segunda-feira (6).
A substituta será Angélica Laureano, que deixa a Diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade, função que passará temporariamente para William França.
Claudio Schlosser era responsável pela área da empresa que realizou, na última terça-feira (31), o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, que teve ágio de mais de 100%, ou seja, o combustível chegou a ser vendido para distribuidoras por mais que o dobro do preço de tabela.
Dois dias após o leilão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a realização do certame, indicando que tinha sido feito contra a orientação da empresa.
Lula classificou o leilão como “cretinice, bandidagem” e mencionou o interesse de anular a venda.
“As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não aumentar o GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, declarou, na ocasião, em entrevista à TV Record Bahia.
No mesmo dia das declarações de Lula, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor e vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), realizou uma fiscalização em refinarias da Petrobras para apurar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão de gás de cozinha.
Contexto de crises e desafios
As mudanças ocorrem em meio à alta internacional do petróleo e à pressão do governo para conter a elevação dos preços domésticos dos combustíveis. A decisão de Mello e de Weick de assumir posições estratégicas no conselho reflete o esforço do governo em consolidar o controle sobre decisões críticas da companhia.
A expectativa é que Mello, caso eleito, assuma a liderança do colegiado, reforçando a presença do governo nas decisões do conselho e na definição da estratégia da Petrobras.
O governo federal tem 50,26% das ações ordinárias da Petrobras, o que dá direito a voto nas assembleias da empresa e permite influência nas decisões estratégicas.