Em resposta ao ultimato de 48 horas estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que exige a reabertura do Estreito de Ormuz até as 21h, horário de Brasília, desta terça-feira (7) —, iranianos foram às ruas na província de Fars, sudoeste do país, para formar uma corrente humana em torno da usina termoelétrica de Kazeroon.
A mobilização ocorreu após um chamado oficial transmitido pela TV estatal do Irã, que convocou a população a proteger infraestruturas energéticas consideradas estratégicas diante das ameaças vindas de Washington. Imagens divulgadas pela agência Fars mostram centenas de pessoas reunidas em frente à instalação, empunhando bandeiras nacionais e cartazes de apoio ao governo.
Confira o vídeo:
O apelo foi feito por Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, que convocou “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores” a participarem da ação. “As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”, afirmou.
A iniciativa ocorre em meio à escalada das tensões entre Teerã e Washington. No domingo (5), Trump havia dado um prazo de 48 horas para que o governo iraniano reabrisse o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo exportado globalmente. Caso contrário, o presidente norte-americano ameaçou atacar infraestruturas no país, incluindo usinas e pontes.
Nesta terça-feira (7), Trump voltou a endurecer o discurso ao afirmar, em publicação na rede Truth Social, que “uma civilização inteira morrerá nesta noite”, intensificando o clima de incerteza internacional.
O episódio marca mais um capítulo de uma crise que já se estende por dias, com negociações por cessar-fogo travadas. Um plano apresentado pelo Paquistão foi rejeitado tanto pelos Estados Unidos quanto pelo Irã, ampliando o risco de escalada militar.
Resposta iraniana
Também nesta terça, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que milhões de cidadãos estão dispostos a defender o país.
“Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, escreveu em sua conta na rede social X.
Segundo o governo, o número corresponde aos cidadãos que responderam a campanhas de mobilização promovidas pela mídia estatal e por mensagens de texto. O país tem uma população estimada em mais de 90 milhões de habitantes.
A formação de correntes humanas em torno de instalações estratégicas não é inédita no Irã. Em momentos anteriores de tensão com o Ocidente, ações semelhantes já foram registradas em áreas próximas a instalações nucleares, como forma de demonstrar apoio popular e tentar dissuadir possíveis ataques externos.