Por AFP
O homem acusado do ataque a tiros em um evento com jornalistas ao qual compareceu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi formalmente indiciado nesta segunda-feira (27) em um tribunal sob acusações de tentar assassinar o mandatário e por dois crimes relacionados a armas de fogo.
Cole Allen, de 31 anos, enfrenta uma pena que pode chegar à prisão perpétua se for considerado culpado de tentar matar Trump durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, realizado no sábado em Washington, D.C..
Relembre o caso
Donald e Melania Trump foram retirados às pressas do evento após o jantar ser interrompido por sons de disparos nos arredores do prédio, realizado no salão de baile do Washington Hilton. Durante o episódio, jornalistas se abrigaram sob as mesas enquanto agentes de segurança do Serviço Secreto americano evacuavam rapidamente o presidente e integrantes de seu gabinete, como o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
O casal não ficou ferido e, mais tarde, participou de uma coletiva de imprensa na Casa Branca.
A prefeita de Washington, D.C., Muriel Bowser, informou que um único atirador teria confrontado agentes do Serviço Secreto no saguão do hotel, descartando, até o momento, a participação de outras pessoas.
Um agente chegou a ser atingido, mas não sofreu ferimentos graves graças ao uso de colete à prova de balas. Não há registro de outras vítimas.
O chefe de polícia de Washington, Jeffrey Carroll, afirmou que o homem teria efetuado ao menos um disparo e estava armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Há indícios de que ele fosse hóspede do hotel.
A ação causou correria entre os cerca de 2 mil convidados, incluindo jornalistas, políticos e celebridades. O evento foi interrompido, e o local passou por varredura de segurança. Trump foi levado a um ponto seguro e, posteriormente, deixou a área.
O suspeito tinha como alvo integrantes do governo, segundo a polícia. A emissora CBS News divulgou a informação após ouvir duas autoridades policiais e, mais tarde, a informação foi confirmada pelo procurador-geral, Todd Blanche, em entrevista ao programa “Face the Nation”. Não foi informado, porém, quem seriam os alvos específicos.
A cerimônia foi adiada e deve ocorrer novamente em cerca de 30 dias.
Quem é Cole Allen?
Cole Allen mora em Torrance, perto de Los Angeles e é professor particular e desenvolvedor de jogos. De acordo com registros públicos e perfis profissionais, Allen tem formação na área de tecnologia. Ele possui mestrado em ciência da computação pela California State University, Dominguez Hills, além de graduação em engenharia mecânica pelo California Institute of Technology, concluída em 2017.
Um professor da universidade onde estudou o descreveu como um aluno dedicado e participativo. Em relato à Associated Press, afirmou que Allen costumava se sentar nas primeiras fileiras, acompanhava atentamente as aulas e frequentemente enviava perguntas. “Era um excelente aluno”, destacou, dizendo ainda ter ficado surpreso com o ocorrido.
Segundo seu currículo, Allen trabalhava havia cerca de seis anos na C2 Education, empresa voltada à preparação acadêmica de estudantes interessados em ingressar no ensino superior. Em 2024, chegou a ser reconhecido como “professor do mês” em uma publicação da companhia.
Além da atuação como tutor, também desenvolvia projetos próprios na área de tecnologia. Durante a faculdade, criou um protótipo de freio de emergência para cadeiras de rodas, que chegou a ser apresentado em uma reportagem de TV local.
O suspeito doou US$ 25 (cerca de R$ 125 na cotação atual) para a campanha de Kamala Harris em outubro de 2024. O dado consta nos registros oficiais da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos.