ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O governo federal e o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) publicaram, nesta quinta-feira (30), os regulamentos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), etapa central da reforma tributária do consumo aprovada pelo Congresso. Os textos detalham a aplicação prática do novo modelo, que substituirá gradualmente os tributos atuais por um sistema considerado mais simples, padronizado e digital.

A regulamentação estabelece regras harmonizadas entre CBS (federal) e IBS (estadual e municipal), consolidando o chamado modelo dual. A proposta busca reduzir a complexidade tributária, diminuir litígios e aumentar a previsibilidade para empresas e consumidores.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a mudança representa uma transformação estrutural no ambiente de negócios. “A primeira delas [mudanças] é a redução de burocracia que a reforma vai trazer. Hoje, os negócios têm uma série de obrigações […] A gente, basicamente, passa a ter só a obrigação de emissão da nota fiscal”, afirmou.

Com mais de 600 artigos em cada regulamento, CBS e IBS, que vão substituir os atuais impostos nas esferas federal, estadual e municipal, passam a estruturar o funcionamento do novo sistema tributário sobre o consumo no país, marcando o início da transição para um modelo mais uniforme e digitalizado.

Novo modelo e simplificação

Os regulamentos detalham um sistema com regras unificadas em todo o país, incluindo conceitos, base de cálculo e mecanismos de crédito. A apuração passa a ser assistida pela Receita Federal, com consolidação automática das informações fiscais.

Durigan destacou que o modelo se aproxima da declaração pré-preenchida do Imposto de Renda. “Damos mais um passo de melhorar o sistema tributário desse país e, por consequência, na vida das pessoas e das empresas.”

Um dos pilares da reforma é a chamada neutralidade tributária, que elimina distorções no sistema atual.

Principais mudanças:

  • imposto passa a ser destacado de forma clara no preço
  • fim da cumulatividade oculta (efeito cascata)
  • tributação uniforme para operações semelhantes
  • pagamento apenas sobre o valor agregado em cada etapa
  • maior transparência para empresas e consumidores

Unificação e padronização nacional

O novo modelo estabelece regras únicas para todo o país, reduzindo a fragmentação entre União, estados e municípios.

Destaques:

  • conceito único para bens, serviços e direitos
  • documentos fiscais eletrônicos padronizados
  • cadastro nacional unificado no CNPJ
  • regras uniformes de apuração, compensação e ressarcimento

Menos burocracia e apuração automatizada

A simplificação das obrigações acessórias é um dos principais ganhos esperados.

Principais pontos:

  • apuração assistida pela Receita Federal
  • centralização do pagamento na matriz da empresa
  • eliminação de declarações redundantes
  • redução de erros e retrabalho

Split payment e recolhimento automático

O regulamento também cria a base para o chamado recolhimento automático de tributos.

Como funciona:

  • pagamento do imposto no momento da transação (Pix, cartão, boleto)
  • garantia de crédito imediato ao comprador
  • redução de erros e aumento da segurança jurídica
  • implementação gradual e opcional

Créditos e ressarcimentos mais rápidos

As novas regras estabelecem prazos objetivos para devolução de créditos tributários.

Prazos definidos:

  • até 30 dias (contribuintes em programas de conformidade)
  • até 60 dias em casos específicos
  • até 180 dias nos demais casos
  • correção pela taxa básica de juros, a Selic
  • ressarcimento automático se não houver resposta da Receita

Proteções sociais e regimes diferenciados

A regulamentação mantém benefícios e cria mecanismos de proteção.

Inclui:

  • manutenção do Simples Nacional
  • tratamento diferenciado para pequenos produtores e autônomos
  • alíquotas reduzidas para saúde, educação e cesta básica
  • cashback tributário para famílias de baixa renda

Transição e prazos

A implementação será gradual, com período de adaptação para empresas.

Cronograma:

  • 2026: fase de testes, com caráter educativo
  • agosto de 2026: obrigatoriedade de informações da CBS nas notas fiscais
  • 2027: início pleno do novo modelo, com extinção de PIS e Cofins

Impactos econômicos esperados

O governo projeta ganhos estruturais com a reforma.

Entre os efeitos esperados:

  • redução do custo Brasil
  • diminuição de litígios tributários
  • aumento da transparência
  • estímulo à formalização e ao investimento

Participação e ajustes

Contribuintes e especialistas poderão enviar sugestões para aperfeiçoamento das normas até 31 de maio de 2026, por meio da plataforma Receita Atende.

 

 

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.