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Após o envolvimento de servidores no escândalo do Banco Master, o Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (7) o Plano de Integridade para o ciclo 2026-2027, no qual reafirma a integridade como um dos valores centrais da instituição. O documento atualiza diretrizes internas e amplia mecanismos de prevenção, detecção e responsabilização em casos de irregularidades.

A integridade passa a ser tratada em conjunto com outros pilares institucionais, como excelência, foco em resultados, cooperação, abertura a mudanças, sustentabilidade, diversidade e empatia. Segundo o BC, o objetivo é consolidar uma cultura organizacional baseada em ética, transparência e no interesse público.

O lançamento do plano ocorre em um contexto de atenção reforçada à governança interna. Em março deste ano, a instituição identificou indícios de recebimento de “vantagens indevidas” por dois servidores, que foram afastados após operação da Polícia Federal. A ação também levou à prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master.

Os investigados são Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento responsável pela supervisão bancária. Ambos são apontados por suspeita de atuação irregular na supervisão do Master antes da liquidação da instituição, ocorrida no fim de 2025, após o agravamento de sua crise financeira.

Fortalecimento da governança

Em nota, o Banco Central afirmou que a integridade institucional deve ser entendida como a atuação pautada pela ética, transparência e pela priorização do interesse público. O órgão destacou ainda que o sistema de governança vem sendo reforçado com políticas como a atualização da Política de Transparência e da Política de Conformidade (Compliance).

A gestão da integridade, segundo o BC, envolve não apenas a repressão a fraudes e atos de corrupção, mas também ações de prevenção, detecção, responsabilização e correção de condutas inadequadas. O objetivo, afirma a instituição, é preservar valores e normas que protejam o interesse público e garantam o respeito a direitos.

36 ações e sete eixos de atuação

O novo plano prevê 36 ações distribuídas em sete eixos temáticos: transparência, ética, comunicação e treinamento, práticas de integridade nos processos de trabalho, tratamento de denúncias, responsabilização e monitoramento contínuo.

Entre as prioridades estão o aprimoramento da gestão de riscos de integridade, a capacitação de servidores e o fortalecimento dos canais de denúncia e dos mecanismos de responsabilização. O BC também inclui ações voltadas à promoção de diversidade, equidade e inclusão, além do combate ao assédio e à discriminação.

Regras de conduta e prevenção

O Banco Central informou ainda que reforçará normas internas relacionadas à conduta de servidores, com foco em prevenção de conflitos de interesse, regras de convivência e deveres funcionais.

Entre as medidas previstas estão campanhas de conscientização sobre padrões de respeito e decoro no ambiente de trabalho, incluindo interações em plataformas virtuais. Também será divulgada uma cartilha sobre prevenção de conflitos de interesse em atividades profissionais paralelas.

Além disso, o BC pretende ampliar o conhecimento dos servidores sobre deveres e proibições funcionais por meio de materiais explicativos em formato de perguntas e respostas. O código de conduta da instituição também está em processo de revisão.

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