Dólar dispara após denúncia envolvendo Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro

O dólar avançou perto de 2% e a Bolsa brasileira caiu mais de 1%
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O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte turbulência nesta quarta-feira (13). O dólar avançou perto de 2%, a Bolsa brasileira caiu mais de 1% e investidores passaram a reagir tanto ao cenário político doméstico quanto à pressão internacional provocada pela inflação nos Estados Unidos.

A instabilidade ganhou força após a publicação de uma reportagem do The Intercept Brasil envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o veículo, documentos apontariam uma negociação entre o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o pagamento de R$ 134 milhões destinados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Questionado sobre o caso durante entrevista coletiva, Flávio Bolsonaro negou as acusações e afirmou que a informação é “mentira”.

Mercado reage e dólar encosta em R$ 5

Após a divulgação da reportagem, o dólar acelerou os ganhos frente ao real. Por volta das 15h30, a moeda norte-americana subia 1,69%, cotada a R$ 4,976. Na máxima do dia, chegou a ultrapassar R$ 5, atingindo R$ 5,004.

Enquanto isso, a Bolsa de Valores brasileira operava em queda de 1,58%, refletindo o aumento da cautela entre investidores.

Pesquisa eleitoral também movimenta cenário político

O dia também foi marcado pela divulgação de uma nova pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida presidencial.

Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 41% do senador. Na pesquisa anterior, divulgada em abril, Flávio registrava 42% e Lula, 40%.

No cenário de primeiro turno, Lula também lidera, com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 33%.

Inflação nos EUA pressiona mercados globais

Além do cenário político brasileiro, investidores também reagiram a novos dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram acima das expectativas e reforçaram apostas de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo.

O índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA avançou 1,4% em abril, resultado muito superior à projeção de 0,5% feita por economistas consultados pela Reuters. Foi a maior alta desde março de 2022.

Na véspera, o índice de preços ao consumidor (CPI) também já havia surpreendido o mercado ao atingir 3,8% em abril, maior nível em três anos.

Com isso, aumentou a percepção de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, poderá adiar cortes de juros.

Guerra no Oriente Médio amplia tensão econômica

O cenário internacional também continua pressionado pela guerra no Oriente Médio, que mantém os preços do petróleo em alta e aumenta os temores sobre inflação global.

O conflito gera preocupação sobre cadeias de abastecimento, custos logísticos e preços de combustíveis e fertilizantes, fatores que podem afetar diretamente alimentos e outras commodities.

Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desembarcou na China para reuniões com o presidente Xi Jinping. Entre os temas da agenda estão os desdobramentos da guerra envolvendo o Irã.

Apesar das negociações diplomáticas, o cessar-fogo ainda parece distante. Trump afirmou recentemente que a trégua “respira por aparelhos”, enquanto autoridades iranianas disseram que não aceitarão propostas diferentes das condições apresentadas por Teerã para encerrar o conflito.

 

O mercado reagiu em poucas horas porque denúncias envolvendo poder político, dinheiro e articulações ocultas costumam ultrapassar os bastidores e atingir o país inteiro. Bandidos de Farda mostra como estruturas protegidas pelo silêncio militar também produziram impactos profundos no Brasil durante a ditadura. Sessão única, gratuita e online neste 17/05.

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