Filme sobre Bolsonaro foi alvo de denúncias trabalhistas mesmo com investimento milionário

Sindicato de artistas e técnicos relatou casos de comida estragada, atrasos de pagamento, assédio e revistas abusivas durante as gravações de “Dark Horse”
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O filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, recebeu denúncias de más condições de trabalho meses antes da revelação de um suposto investimento de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), obtido pelo g1, aponta reclamações de figurantes e técnicos sobre comida estragada, alimentação insuficiente, atrasos de pagamento, cachês baixos, transporte cobrado dos trabalhadores e revistas consideradas abusivas durante as gravações em São Paulo.

O relatório elaborado à época reuniu 15 denúncias formais feitas por trabalhadores por meio do canal Reclame SATED.  De acordo com os relatos, havia diferença de tratamento entre o elenco estrangeiro e os figurantes brasileiros.

Enquanto os integrantes da equipe principal tinham acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service, os figurantes recebiam apenas um kit lanche. Segundo os denunciantes, a alimentação era insuficiente para jornadas superiores a oito horas.

Segundo os trabalhadores, alguns figurantes precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até os locais de gravação. O valor, de acordo com as denúncias, era cobrado em espécie ou descontado do cachê ao final da diária.

O relatório menciona também episódios recorrentes de assédio moral e condições precárias durante as filmagens. Há ainda o caso de um figurante que afirmou ter sofrido agressão física no set. Conforme informou o sindicato, ele registrou boletim de ocorrência e comunicou que realizaria exame de corpo de delito.

As denúncias incluem ainda revistas pessoais consideradas invasivas. De acordo com os relatos, seguranças realizavam abordagens com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes logo na entrada das locações.

Outro ponto levantado no documento é a suposta utilização de profissionais estrangeiros da equipe técnica sem o recolhimento das taxas obrigatórias previstas na Lei nº 6.533/78, que regulamenta as profissões artísticas e técnicas do setor audiovisual.

O sindicato afirmou que os fatos seriam apurados pelas autoridades e que não faz acusações diretas contra a produção.

Investimento milionário

Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil mostram o senador Flávio Bolsonaro pedindo recursos a Daniel Vorcaro para manter o filme, alegando atrasos e tensão na equipe. Flávio confirmou que buscou apoio financeiro, mas negou irregularidades.

A produtora GOUP Entertainment negou ter recebido dinheiro de Vorcaro ou do Banco Master e afirmou repudiar associações sem comprovação documental.

O alto valor atribuído ao financiamento chamou atenção no setor audiovisual por superar o orçamento de produções brasileiras recentes de grande repercussão, como “O Agente Secreto”, indicado ao Oscar de 2026.

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