O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais e as preocupações dos investidores com a inflação global. O cenário externo, somado às incertezas políticas no Brasil, pressionou a bolsa brasileira ao longo do dia.
O principal índice da bolsa brasileira caiu 0,61%, fechando aos 177.238 pontos, após oscilar entre a mínima de 175.417 pontos e a máxima de 178.340 pontos. Na semana, o acumulado foi negativo em 3,71%, ampliando o movimento de correção do mercado.
Apesar de ter registrado perdas mais intensas durante a manhã, o índice reduziu parte da queda ao longo da sessão, impulsionado principalmente pelo desempenho das ações da Petrobras.
No cenário internacional, as tensões envolvendo o Oriente Médio seguiram influenciando os mercados. A falta de avanços em negociações de paz elevou os preços do petróleo e aumentou os receios sobre novos impactos inflacionários na economia global. O barril do petróleo Brent avançou mais de 3%, aproximando-se dos US$ 110.
Além disso, dados recentes da inflação nos Estados Unidos reforçaram a expectativa de que o Federal Reserve mantenha juros elevados por mais tempo. O ambiente de cautela também afetou as bolsas americanas, com o S&P 500 fechando em baixa.
No Brasil, investidores acompanharam os desdobramentos do cenário político e eleitoral. O noticiário envolvendo aliados do senador Flávio Bolsonaro também permaneceu no radar do mercado, aumentando o clima de incerteza entre os agentes financeiros.
Segundo analistas, o mercado brasileiro ainda mantém perspectivas positivas no médio prazo, mas o ambiente atual exige maior seletividade dos investidores. O cenário de juros elevados, pressão cambial e alta nos contratos futuros de juros favorece empresas consideradas mais defensivas, com fluxo de caixa previsível e atuação em setores essenciais.
Destaques do Ibovespa
Entre os destaques do pregão, os grandes bancos encerraram o dia em queda. Papéis do Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil e Banco do Brasil recuaram acompanhando o tom negativo do mercado.
Na contramão, as ações da Petrobras avançaram impulsionadas pela valorização do petróleo no exterior. Já os papéis da Vale conseguiram reverter perdas registradas pela manhã, mesmo com a queda do minério de ferro na China pelo quarto pregão consecutivo.
Entre as maiores baixas do dia esteve a Cosan, após divulgar prejuízo bilionário no primeiro trimestre. O mercado também reagiu negativamente aos resultados do Grupo Pão de Açúcar, que registrou forte prejuízo no período.
A CPFL Energia também terminou o dia em queda, apesar de ter apresentado crescimento no lucro trimestral, beneficiado por efeitos financeiros e tributários positivos.