Mercado ainda subestima efeitos de um possível super El Niño, diz economista do ICL

Além das safras, fenômeno climático pode afetar inflação, logística, geração de energia e contas públicas, alerta Deborah Magagna
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A possibilidade de formação de um super El Niño já em 2026 começou a acender alertas entre economistas, especialistas em clima e agentes do mercado financeiro. Segundo informações da agência climática dos Estados Unidos, os efeitos do fenômeno podem começar a ser sentidos a partir de julho do próximo ano, com probabilidade superior a 90%.

Embora o tema venha ganhando espaço no debate econômico, especialistas avaliam que os impactos de um novo evento climático extremo ainda não foram totalmente incorporados às projeções dos mercados.

Para a economista do ICL, Deborah Magagna, existe uma tendência recorrente de subestimar os efeitos econômicos das mudanças climáticas, mesmo após os prejuízos registrados recentemente no Brasil e no mundo.

“Os eventos climáticos têm aparecido com muito mais frequência do que anteriormente e cada vez com condições mais extremas, mais severas”, afirmou a economista durante a edição desta quarta-feira (20) do ICL Mercado e Investimentos.

Segundo ela, o impacto sobre as commodities agrícolas pode voltar a ser significativo, especialmente após os problemas enfrentados pela safra brasileira em 2024. Naquele período, produtores lidaram com seca intensa, excesso de chuvas e queimadas, fatores que comprometeram a produtividade em diversas regiões do país.

Débora destaca que o mercado financeiro ainda trata os riscos climáticos como algo distante ou incerto, o que acaba reduzindo a percepção de urgência sobre medidas preventivas.

“O que eu vejo aqui do mercado financeiro é que a precificação desse risco é sempre menor, parece que nunca vai acontecer”, disse.

Impactos econômicos de super El Niño podem ir além do agronegócio

Além da pressão sobre alimentos e commodities, um super El Niño pode trazer consequências mais amplas para a economia, afetando inflação, logística, geração de energia e contas públicas.

A economista também criticou a forma como parte do mercado reagiu aos gastos públicos destinados à reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes históricas de 2024.

“Muitas vezes o mercado financeiro se colocava contra os gastos para a reconstrução do Rio Grande do Sul porque via apenas o lado do gasto público e não das vidas que tinham sido destruídas”, afirmou.

Na avaliação dela, tratar investimentos emergenciais apenas como custo fiscal ignora o impacto econômico e social causado por tragédias climáticas de grande escala.

Mudanças climáticas exigem planejamento

Outro ponto destacado por Deborah Magagna é a falta de planejamento de longo prazo diante do aumento da frequência de eventos extremos. Para ela, ainda existe uma desconexão entre os alertas científicos e a preparação efetiva de governos, empresas e investidores.

A economista avalia que, caso o super El Niño se confirme na intensidade esperada, os danos à produção agrícola podem voltar a pressionar preços e afetar o crescimento econômico.

“Vai causar muito estrago, vai quebrar a safra de novo, e aí não adianta as pessoas fingirem que foram pegas de surpresa mais uma vez”, alertou.

Ela também defendeu maior responsabilidade ambiental e criticou práticas predatórias no uso do solo e dos recursos naturais, afirmando que parte dos impactos atuais é consequência direta da degradação ambiental acumulada nos últimos anos.

Assista à edição completa do ICL Mercado e Investimentos com a análise de Deborah Magagna sobre os efeitos do El Niño sobre a economia.

 

 

 


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