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O senador Flávio Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a continuidade da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo o senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, a proposta é apresentar uma PEC para suspender por um ano a entrada em vigor das novas regras de tributação sobre o consumo caso o parlamentar seja eleito presidente em 2026.

A medida representaria mais um capítulo de incerteza em torno de uma reforma discutida durante décadas e aprovada após intensa negociação entre Congresso, estados, municípios e setores produtivos.

A justificativa da equipe de Flávio Bolsonaro é de que o novo modelo tributário teria “distorções” que precisariam ser revistas antes da implementação completa. Rogério Marinho afirmou que o objetivo seria “dar uma sustada” no processo para reavaliar o texto.

A proposta, no entanto, enfrenta obstáculos políticos e econômicos. Para entrar em vigor, a PEC precisaria ser aprovada pelo atual Congresso ainda durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, exigindo ampla articulação política em um cenário já marcado por disputas fiscais e pressão sobre as contas públicas.

Reforma tributária já começou a ser implementada

A reforma tributária começou sua fase de transição em 2026, com testes operacionais da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Embora ainda não haja cobrança efetiva dos novos tributos, empresas já começaram a adaptar sistemas e emitir notas fiscais dentro do novo modelo.

O cronograma prevê mudanças graduais nos próximos anos, incluindo a entrada em vigor do Imposto Seletivo, voltado a produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, além da substituição de tributos federais como PIS, Cofins e parte do IPI.

A possibilidade de suspensão da reforma gera preocupação em setores que apoiaram a mudança justamente pela expectativa de simplificação tributária e redução da insegurança jurídica.

Discurso muda de revogação para adiamento

Nos últimos meses, Flávio Bolsonaro chegou a defender abertamente a revogação completa da reforma tributária. Em eventos políticos, o senador criticou a criação do chamado “imposto do pecado” e afirmou que o país teria aprovado um modelo com carga tributária elevada.

Agora, a estratégia da campanha parece ter sido suavizada para um adiamento temporário da implementação, embora o discurso continue alinhado à oposição histórica do PL à reforma.

O partido liderado por Jair Bolsonaro votou contra a proposta tanto na Câmara quanto no Senado. A posição divergiu, inclusive, de aliados importantes do campo conservador, como o governador paulista Tarcísio de Freitas, que apoiou a aprovação da reforma diante da pressão de empresários e da indústria por um sistema tributário mais simples.

Mercado teme aumento da insegurança econômica

A reforma tributária foi defendida por setores industriais, parte do mercado financeiro e especialistas em política fiscal como uma tentativa de reduzir a complexidade do sistema brasileiro, considerado um dos mais burocráticos do mundo.

Apesar de críticas pontuais sobre aumento de carga para alguns segmentos, como serviços, a proposta foi construída para unificar tributos e reduzir distorções históricas.

A possibilidade de interromper uma transição já iniciada levanta dúvidas sobre segurança jurídica, previsibilidade econômica e impacto nos investimentos privados. Empresas já vêm adaptando operações, contratos e sistemas internos ao novo modelo tributário.

Além disso, especialistas alertam que reabrir toda a discussão pode prolongar ainda mais um ambiente de incerteza tributária que há anos é apontado como um dos principais entraves ao crescimento econômico brasileiro.

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