Governo vê ida de Flávio aos EUA como ‘boia’ para campanha, mas alerta para ‘ingerência’

Palácio do Planalto indica que irá responder caso eventual reunião resulte em ataques ou medidas contra o Brasil
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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai considerar como ingerência se uma eventual reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump resultar em novas medidas contra o Brasil. Mas considera que o principal motivo para a viagem é a de servir como “boia” para tentar retirar o senador da crise do Banco Master.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro anunciou que Trump receberia o senador brasileiro na próxima semana, mas a Casa Branca ainda não confirmou.

O Palácio do Planalto considera que não tem o direito de dizer para um governo estrangeiro quem ele deve receber ou não. Além disso, a relação entre a família Trump e Bolsonaro é uma realidade. O encontro em si, portanto, não seria um problema e a diplomacia brasileira não irá agir nos bastidores para tentar impedir que o encontro ocorra.

Mas tudo dependerá das decisões que podem eventualmente sair da reunião. A avaliação em Brasília é de que, sempre que a família Bolsonaro se aproximou à Casa Branca, resultados negativos ao país foram adotados.

Neste caso, conforme o ICL Notícias antecipou nesta manhã, a preocupação se refere ao potencial de que esse eventual encontro seja transformado em um ato de ingerência, como a adoção de medidas ou tarifas contra o Brasil.

Se o encontro for visto como uma oportunidade para criticar o sistema eleitoral brasileiro, urnas ou a Justiça, o governo está preparado para dar uma resposta “contundente”.

A baixa popularidade de Trump no Brasil, porém, poderia ser um obstáculo para Flávio. Em 2025, foram as ações do americano que deram um impulso para a popularidade de Lula.

Por isso, a avaliação é de que, antes de mais nada, o eventual encontro sirva para garantir a sobrevivência de Flávio como candidato.

Para o governo, não há ilusão de que os encontros de Lula com Trump tenha impedido o fechamento de canais de comunicação com a oposição brasileira. Os EUA já indicaram que querem governos “dóceis”, principalmente para conseguir atingir seu objetivo de frear a China e obter recursos naturais.

O Palácio do Planalto, portanto, não subestima o interesse e a operação de alas do establishment americano para agir contra o governo Lula.

O recado que o governo está pronto a dar, porém, se refere a eventuais declarações ou medidas que representem ataques contra a soberania nacional ou envolvimento no processo eleitoral.

O governo também estima que precisa tirar as lições das ações que foram tomadas contra o Brasil em 2025, justamente depois de um lobby intenso por parte da família Bolsonaro. A perspectiva é de eles são capazes de tudo.

Apesar da atenção, o governo acredita que a construção de um diálogo entre Lula e Trump desarmou armadilhas. A avaliação é de que a Casa Branca não tem uma preferência por Lula. Mas os canais oficiais e essa aproximação aumentam os custos para que novas medidas sejam tomadas.

O governo também considera que, com os contatos entre os dois presidentes, foram retiradas da mesa as ameaças mais sérias contra o Brasil que foram feitas em 2025.

 

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