O governo brasileiro tomou a decisão de acelerar uma diversificação de fornecedores de fertilizantes para o setor agrícola, reduzindo a dependência em relação às vendas do Oriente Médio. O motivo é o impasse na reabertura do Estreito de Ormuz, diante da falta de um acordo entre os EUA e o Irã.
Quando a guerra começou, no final de outubro, 80% do fornecimento de fertilizantes do Brasil era importado. Mas a expectativa era de que o fechamento da via marítima no Oriente Médio seria de curta duração. Agora, o risco de uma guerra prolongada ameaça a produção agrícola do país, na safra de setembro.
O governo admite que uma das vulnerabilidades é a importação de fertilizantes.
vai seguir duas estratégias. A primeira é a de retomar a produção nacional de fertilizantes, com o objetivo de chegar a 40% do consumo do país.
Um segundo pilar é a busca de fornecedores fora do Oriente Médio. Nas últimas semanas, o chanceler Mauro Vieira viajou para a Ásia Central, na busca de acordos para a compra de fertilizantes do Uzbequistão e Casaquistão.
Outro caminho será uma aproximação com o Marrocos, importante produtor de fertilizantes. O governo brasileiro ainda espera fechar um acordo com o Canadá até o final do ano, uma vez mais reduzindo sua dependência dos países árabes.
O Brasil estima que a eleição legislativa dos EUA pode ser um fator determinante para forçar Trump a chegar um acordo para a reabertura de Ormuz.
Mas, seja qual for o destino do Estreito, a decisão do governo é de que o fornecimento de fertilizantes para uma área estratégica no Brasil não voltará ao patamar que existia até a guerra começar, com uma dependência excessiva em relação ao Oriente Médio.