A Polícia Civil realizou nesta sexta-feira (22) mais uma fase da Operação Contenção no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro, com foco no combate ao tráfico de drogas e a outros crimes atribuídos ao Comando Vermelho.
Durante a ação, os agentes descobriram uma fazenda clandestina de criptomoedas instalada dentro de um mercado da comunidade. O local abrigava dezenas de computadores utilizados para mineração de bitcoins e outros ativos digitais por meio de ligações irregulares de energia elétrica.
Até o momento, oito pessoas foram presas.
Segundo a Polícia Civil, o espaço encontrado possuía diversos equipamentos usados no processamento e validação de transações de criptomoedas, atividade conhecida como mineração.
Esse tipo de operação exige alto poder computacional e grande consumo de energia elétrica, já que os computadores trabalham continuamente para resolver cálculos complexos que garantem o funcionamento das redes de moedas digitais, como o Bitcoin.
De acordo com os investigadores, todos os equipamentos estavam ligados a uma rede improvisada de energia, o que levantou suspeitas de furto elétrico para sustentar a operação.
O que é mineração de criptomoedas
A mineração de criptomoedas é o processo responsável por validar transações financeiras em redes descentralizadas baseadas em blockchain.
Os computadores utilizados nesse sistema competem para resolver equações matemáticas complexas. O primeiro equipamento que consegue concluir o cálculo recebe recompensas em moedas digitais e taxas pagas pelos usuários da rede.
A atividade funciona de forma ininterrupta, 24 horas por dia, e demanda grande capacidade energética. Dados da Universidade de Cambridge apontam que a mineração de criptomoedas já consome mais de 100 TeraWatts/hora por ano no mundo.
Operação mira tráfico e crimes financeiros
A ofensiva desta sexta também teve como alvo integrantes de um núcleo criminoso investigado por tráfico de drogas, roubos de veículos, assaltos e ataques a instituições financeiras.
Um dos principais procurados é Emanuel dos Santos Carvalho, conhecido como “Mata Rindo”, apontado pela polícia como integrante do esquema criminoso que atua na região.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro indicam que a facção mantinha vigilância armada nos acessos à comunidade, monitorando movimentações policiais em tempo real por meio de grupos restritos de comunicação.
Segundo os investigadores, a estrutura criminosa também utilizava tecnologia para coordenar ações ligadas ao tráfico de drogas e à proteção armada do território controlado pela facção.
Golpe da falsa central telefônica também era investigado
Além das ações contra o tráfico, a operação cumpriu mandados contra suspeitos de participação em um esquema de fraude conhecido como “falsa central telefônica”.
De acordo com a polícia, os criminosos se passavam por funcionários de bancos para convencer vítimas de que suas contas haviam sido comprometidas. A partir disso, induziam as pessoas a entrar em contato com uma falsa central de atendimento controlada pela quadrilha.
Com acesso às informações bancárias, o grupo realizava transferências e outras movimentações financeiras fraudulentas.
A investigação sobre o esquema é conduzida pela 26ª DP em parceria com a Polícia Civil do Piauí.