‘A escala 6×1 é escravocrata’, diz Rick Azevedo sobre jornada de trabalho

Vereador do PSOL-RJ defendeu o avanço da PEC contra a escala 6x1, criticou o Centrão e afirmou que há tentativa de desidratar a proposta no Congresso
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O vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ) defendeu o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 durante entrevista ao ICL Notícias 1ª Edição nesta terça-feira (26). Na conversa, o parlamentar afirmou que a medida busca garantir melhores condições de vida aos trabalhadores brasileiros, reduzindo os impactos físicos e mentais provocados pelas jornadas exaustivas.

Rick também comentou o processo de tramitação da proposta na Câmara dos Deputados, destacando a mobilização de parlamentares e movimentos sociais favoráveis à pauta, além da pressão para que o texto avance nas comissões da Casa.

Segundo o vereador, grupos contrários à PEC tentam retardar a tramitação do texto nas comissões e barrar o avanço das discussões sobre a redução da jornada de trabalho.

Leia a entrevista

Manuela Borges – Minha preocupação é com relação à emenda apresentada pelo Centrão, que ampliava para 52 horas as horas de trabalho, redução do FGTS, fim da contribuição patronal e impunha uma regra de transição de 10 anos. Será que eles não podem impor essa derrota ao governo? Algum trecho dessa emenda passar na hora que o texto for para análise em plenário?

Rick Azevedo – Primeiramente, a gente precisa frisar alguns pontos. Por boa parte do Congresso Nacional e pelo presidente Hugo Motta, a PEC que acaba com a escala 6×1 não teria nem tramitado. A gente sabe que é um Congresso que não é amigo do povo brasileiro, pelo contrário, é inimigo. A todo momento estão tentando fazer malabarismo para desidratar a nossa proposta inicial. A gente chegou com a PEC exigindo escala 4×3 e uma jornada semanal de 36 horas semanais. Aí, foram desidratando e agora estamos com essa proposta de escala 5×2 e 40 horas semanais.

Ontem, o presidente da Câmara já falava que a escala 6×1 vai acabar a partir de 60 dias da aprovação da PEC for aprovada e vai diminuir mais 2 horas na jornada semanal só daqui um ano. O que é um absurdo, diminuir a jornada de 44 para 40 horas em um ano, na verdade, mais de um ano, é um absurdo. E tem essa outra proposta, outra emenda que os bolsonaristas e parte do Centrão assinaram. A gente está aqui fazendo muitas articulações para que isso não aconteça, para que essa emenda não vá para frente. Para além das articulações nos bastidores, a gente confia na força do povo.

Eu sigo mostrando a todo tempo nas redes sociais quem são os inimigos do povo. Sigo mostrando para a classe trabalhadora o tempo todo, expondo o rosto de cada um para que as pessoas entendam quem são esses parlamentares. Acredito que a forma que nós estamos nos mobilizando, a forma que a classe trabalhadora está organizada, a forma que a classe trabalhadora está revoltada, essa emenda não vai passar.

No que depender de mim, no que depender da minha força para expor esses parlamentares e não deixar que essa emenda patética passe, eu vou fazer. A força da classe trabalhadora vai impedir o avanço dessa emenda e além disso também não queremos esse período de transição na jornada semanal. Chega! A escala 6×1 existe desde 1943, a última vez que diminuiu a jornada de trabalho foi em 1988. Esse período de transição é mais uma maneira de tentar passar a perna do povo brasileiro.

Estou aqui atento com a deputada federal Erika Hilton fazendo muitas articulações, mas, para além disso, a gente confia na força do povo que vem das ruas e da internet.

Heloísa Villela – Eles estão falando também em regulamentar separadamente a escala para 14 categorias, entre elas saúde, alimentação, transporte público, aviação, segurança, ou seja, eles estão falando em abrir uma exceção que pode se tornar a maioria, ser muito mais gente na exceção do que dentro da regra. Queria saber se vocês estão de olho nisso também e como vocês estão olhando para o avanço da tramitação que vai enfrentar um Senado nada amigo do povo?

Quando se trata de Congresso Nacional Brasileiro, toda hora é um malabarismo, toda hora é uma falcatrua. Desde o início, quando protocolamos a PEC juntamente com a deputada federal Erika Hilton, existem vários malabarismos. A primeira audiência que a deputada Erika Hilton tentou organizar, o PL tentou tirar de pauta. Estamos atentos nesses jabutis que eles estão querendo criar. A gente está aqui nos bastidores conversando e vendo o que a gente vai tomar com medida para fortalecer os atos nas ruas, porque não adianta também só fazer articulações nos bastidores.

O que está fazendo o avanço dessa proposta acontecer é a força da classe trabalhadora, que vem das redes e das ruas. Respondendo de forma pragmática, são vários jabutis. São várias ousadias que eles querem colocar contra a classe trabalhadora.

Acredito que a gente não vai deixar passar porque a classe trabalhadora está atenta. Graças a Deus, a gente tem a internet e consegue estar informando em tempo real.

Rick Azevedo, Erika Hilton e Movimento VAT estão aqui presentes, de olhos atentos e não vamos deixar que passem a perna na classe trabalhadora. É uma luta sobre dignidade, sobre respeito, sobre vida, sobre saúde, sobre a classe trabalhadora poder se sentir gente, pertencente à sociedade.

Não estamos aqui fazendo “politicagem” barata. Muito se fala: ‘Ah, está pautando agora nas eleições para fazer politicagem’. A gente chegou com essa demanda para o Congresso há três anos. A questão é que o Congresso inimigo do povo, a bancada do PL e parte do Centrão impediram que a gente avançasse antes. Sim, estamos usando desse momento eleitoral para constranger essa gente para falar: ‘Olha, vocês vão perder votos se vocês não pautarem isso agora’. Não se trata de uma politicagem barata, se trata de ter responsabilidade com o povo.

William De Lucca –  Eu queria te perguntar sobre o impacto disso para 2026. Você acha que esse caminho que o governo tem seguido, falando sobre direitos trabalhistas, sobre redução da escala de trabalho, sobre melhoria de vida dos precarizados, dos uberizados, é o caminho para a gente, talvez, vencer as eleições e conquistar uma ampla bancada na Câmara e no Senado?

Acredito, com certeza. Eu acho que agora é a hora de fazer um grande limpa no Congresso Nacional. Chega! É um Congresso Nacional extremamente inimigo do povo que impede o governo de fazer os seus avanços. O governo tem que aproveitar esse momento e ser mais ousado, cada vez mais ousado e pensar nessa próxima bancada que, de fato, dê espaço para o governo tratar pautas tão importantes como as pautas trabalhistas.

Nós temos um Congresso que é praticamente um puxadinho da sala dos empresários. O Congresso Nacional estende o tapete vermelho o tempo todo para o empresariado fazer ali as suas artimanhas, terem os seus pedidos atendidos, que que são somente para favorecer o empresariado e deixar a classe trabalhadora de lado. Acredito que a gente tem que aproveitar esse momento e pensar em um novo Congresso, mais jovem, mais atual, que dialogue, de fato, com a sociedade.

César Calejon – O principal argumento utilizado, sobretudo pelos liberais, é que o fim das seis por um quebraria a economia, seria muito prejudicial para o país. Qual é a sua resposta para quem diz que a gente não pode terminar com uma escala predatória, como essa, porque isso seria prejudicial para a economia e quebraria o Brasil?

Ontem, o debate lá na Comissão Especial se estendeu até tarde. A gente percebia a agonia de alguns parlamentares por estarem ali em plena segunda-feira, um dia que não é comum para eles trabalharem. Eu fico me perguntando: são tão a favor do trabalho da 6×1, dizem que quanto mais se trabalha, mais a economia se fortalece, por que que estavam tão agoniados para ir embora? Começaram a trabalhar 16 horas e era 21 horas, estava cedo. Um trabalhador de farmácia, por exemplo, entra às 14 horas e sai 23 horas.

Essa gente vive de falácia, fala que o trabalhador tem que trabalhar até a exaustão para fortalecer o país, para o país prosperar, mas eles mesmo não trabalham.. É aquela coisa, façam o que eu falo e não o que eu faço. Por essa gente estaríamos ainda num processo de escravidão velada, onde teria senzala, onde teria tronco, porque na verdade nós estamos em uma escravidão moderna.

A escala 6×1 é uma escala escravocrata, é o resquício da escravidão. Não vou parar de falar enquanto a escala 6X1 não foi retirada da Constituição Brasileira.

E essa gente sempre usou o mesmo discurso. Impressionante que nem a capacidade de mudar o roteiro, eles tiveram, é o mesmo discurso do tempo da escravidão, que falava que os senhores de engenho não poderiam ficar sem escravo, porque iam quebrar, os empresários tinham que ser indenizados. É o discurso dos escravocratas, que querem usar a economia para continuar explorando a classe trabalhadora.

Se o seu negócio tem que explorar um trabalhador seis dias consecutivos para apenas um dia de folga, pagar um salário mínimo que muitas vezes não dá para comer.. Se a sua empresa vai quebrar, porque vai fornecer mais um dia de folga, então, meu amigo, realmente você tem que pensar em ir para outro caminho. O que a gente vê é isso: eles falando na cara dura, que sim, para eu poder prosperar, para a classe empresarial poder prosperar, a gente vai ter que explorar a classe trabalhadora. Então, é um discurso falacioso, é um discurso escravocrata.

Nós temos grandes exemplos de grandes empreendedores que já colocaram a escala 5×2 e não quebraram. O que a gente está vendo mesmo é um malabarismo para tentar explorar. Como uma empresa que tem três, quatro, cinco funcionários não consegue fazer uma escala para o funcionário ter dois dias de folga?

E na verdade, o que a gente queria mesmo era uma escala 4×3 e um salário pelo menos acima de 2 mil reais. A gente está falando de uma escala 5×2, de algo simples para as pessoas poderem respirar, para as pessoas poderem ter tempo de pelo menos lutarem por outras pautas. Então, é isso. São falácias, são pessoas escravocratas que estão acostumadas a ficarem ricas através da exploração.

 

 

 

 

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