Prejuízo dos Correios quase dobra no 1º tri e acende alerta no setor público

Com perdas de R$ 3,1 bilhões no período, estatal enfrenta dificuldades para reverter rombo bilionário
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Os Correios iniciaram o ano de 2026 sob forte pressão financeira. Segundo demonstrações financeiras aprovadas pelo Conselho de Administração e divulgadas na segunda-feira (1º), a estatal registrou um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre. O montante representa quase o dobro do déficit registrado no mesmo período de 2025 (R$ 1,7 bilhão), consolidando uma tendência de deterioração das contas que já dura 14 trimestres consecutivos.

O relatório contábil revela um cenário de “tesoura” financeira: enquanto o faturamento encolhe, os custos operacionais e financeiros avançam sem freios. A receita líquida de serviços caiu para R$ 3,85 bilhões, refletindo a perda de relevância do serviço postal tradicional.

Em contrapartida, as despesas administrativas e financeiras saltaram de R$ 1,2 bilhão para R$ 2,2 bilhões. O destaque negativo ficou para os custos financeiros, que triplicaram no período, saindo de R$ 282 milhões para R$ 985 milhões.

Fatores que pressionam o resultado:

  • Queda na demanda: Migração digital reduzindo o volume de cartas e impressos.
  • Concorrência logística: Perda de mercado em encomendas (e-commerce) para players privados.
  • Custo fixo elevado: A obrigação legal de manter agências em todos os municípios brasileiros (universalização) impede cortes drásticos de estrutura.
  • Passivos: Crescimento de despesas judiciais e reajustes salariais.

Plano de Reestruturação sob Pressão

A estratégia da diretoria para estancar a sangria baseia-se em um plano de modernização e redução de custos iniciado no fim de 2025. No entanto, o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), pilar central dessa estratégia, entregou resultados aquém do esperado.

Com a meta de desligar 10 mil colaboradores para gerar uma economia anual de R$ 1,4 bilhão, o programa atraiu apenas 3 mil adesões (30% do objetivo). O baixo engajamento limita a capacidade da empresa de aliviar a folha de pagamento no curto prazo, mantendo o patrimônio líquido em terreno perigoso: R$ 16,2 bilhões negativos.

Imbróglio dos empréstimos e o TCU

Para manter a operação, a estatal tem recorrido ao crédito externo com aval da União. Após captar R$ 12 bilhões ao fim de 2025, a companhia agora busca um novo aporte de R$ 7 bilhões.

Contudo, o caminho encontra resistência técnica. O Tribunal de Contas da União (TCU) levantou questionamentos severos sobre a legalidade dessas operações. O ministro Benjamin Zymler alertou que a concessão de garantias soberanas pelo Tesouro Nacional para uma estatal em déficit crônico pode configurar violação à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Sem uma reversão rápida no quadro operacional ou uma solução para a baixa adesão ao plano de demissões, os Correios seguem dependentes de socorro do Tesouro, sob o olhar atento dos órgãos de controle e do mercado logístico.

Comparativo dos principais dados financeiros do primeiro trimestre:

  • Prejuízo Líquido: Saltou de R$ 1,7 bilhão em 2025 para R$ 3,1 bilhões em 2026 (um aumento de 82%).
  • Receita de Serviços: Recuou de R$ 3,94 bilhões em 2025 para R$ 3,85 bilhões em 2026 (queda de 2,3%).
  • Despesas Financeiras: Cresceram de R$ 282 milhões em 2025 para R$ 985 milhões em 2026 (alta expressiva de 249%).
  • Patrimônio Líquido: Agravou-se de R$ 13,1 bilhões negativos (em dezembro de 2025) para R$ 16,2 bilhões negativos ao final de março de 2026.

 

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