Moraes nega recursos da defesa de Thiago Rangel e mantém prisão do deputado

Julgamento virtual dos recursos na Primeira Turma prossegue até a próxima sexta-feira (19)
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Por Tempo Real RJ

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para negar os recursos da defesa do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) e de outros seis réus. Com o voto, o relator manteve as prisões preventivas e o afastamento das funções públicas dos alvos da investigação da Polícia Federal sobre um esquema de corrupção que começou em Campos dos Goytacazes e se estendeu à Secretaria de Estado de Educação do Rio.

O julgamento virtual dos recursos na Primeira Turma prossegue até a próxima sexta-feira (19).

A decisão do ministro responde ao recurso que tentava anular a competência do STF e pedia a revogação das prisões sob alegação de “ausência de contemporaneidade” dos fatos. No entanto, Moraes foi categórico ao afirmar que as “irresignações não merecem prosperar”.

O deputado foi preso na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF)

O voto de Alexandre de Moraes detalha as conclusões da Polícia Federal e o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontam o deputado Thiago Rangel como o “braço político” de uma organização criminosa liderada em conjunto com Rodrigo Bacellar,  ex-presidente da Alerj— que se encontra preso por envolvimento com facções criminosas. Conforme as investigações, o grupo é suspeito de crimes como:

  • Organização criminosa;
  • Peculato, corrupção ativa e passiva;
  • Lavagem de capitais;
  • Fraude em licitações e contratos.

Investigação aponta que o grupo direcionava obras de reformas em escolas públicas estaduais no Norte e Noroeste fluminense

Eleito deputado estadual, Thiago Rangel migrou as ações criminosas para o âmbito estadual, se infiltrando na Secretaria de Estado de Educação do Rio. Investigações apontam que o grupo direcionava obras de reformas em escolas públicas estaduais no Norte e Noroeste fluminense para empresas que, posteriormente repassavam os valores desviados aos líderes do esquema.

As investigações também apontam indícios de um financiamento eleitoral ilícito (“caixa dois”) no valor de R$ 2,9 milhões prometido por Rodrigo Bacellar para a campanha da filha de Rangel e outros aliados. Em julho de 2024, Rangel teria recebido uma mala contendo R$ 500 mil em espécie, entregue pelo então chefe de gabinete de Bacellar.

Deputado Thiago Rangel foi preso em operação da PF que apura fraudes em licitações na Educação – Foto: Alex Ramos/Alerj
Deputado Thiago Rangel foi preso em operação da PF que apura fraudes em licitações na Educação – (Foto: Alex Ramos/Alerj)

Voto de Moraes cita depoimento da atual Secretária de Educação do Rio de Janeiro

Os recursos apresentados pela defesa dos réus sustentou que os fatos investigados eram antigos e que não justificavam a prisão preventiva. Em resposta, durante seu voto, o ministro Alexandre de Moraes rebateu argumentando que a contemporaneidade, em crimes de organização criminosa, está ligada à persistência do risco e não ao momento exato do crime.

“O exame integrado das investigações evidencia um esquema criminoso complexo, estruturado e de execução continuada. A reiteração das condutas demonstra que a engrenagem delitiva perdurou por razoável lapso temporal, havendo indícios de funcionamento recente”, destacou o relator, endossando o parecer da PGR.

Moraes também citou o depoimento da atual secretária de Educação do Rio de Janeiro, Luciana Martins Calaça. Ela relatou à polícia ter sido questionada por Thiago Rangel em tom de retaliação e ameaça em maio de 2026, após o deputado perder a influência sobre cargos nas Diretorias Regionais de Educação.

Segundo o ministro, a manutenção da prisão é indispensável para garantir a ordem pública e “permitir que testemunhas e outros investigados possam prestar suas declarações de forma espontânea, livres de eventuais ameaças e constrangimentos”.

Moraes também relembrou que a Primeira Turma do STF já havia referendado, de forma extraordinária, o afastamento da imunidade parlamentar local prevista na Constituição Estadual, mantendo a prisão de Thiago Rangel de forma independente de manifestação da Alerj.

O voto concluiu que não há qualquer argumento novo capaz de alterar a decisão inicial e negou provimento ao agravo de forma integral.

Com informações da coluna do Ralfe Reis, da Tribuna NF.

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