O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7, em Evian. Ao terminar a primeira reunião da manhã, os dois voltaram a se encontrar rapidamente num dos corredores do hotel que hospeda a cúpula.
Trump, ao ver o brasileiro, apontou em sua direção e caminhou para saudá-lo. Deu um tapinha em suas costas e disse: ‘tudo bem? Bom trabalho’. O encontro foi registrado em imagens obtidas pelo ICL Notícias com fontes locais. Essa foi a segunda vez que os dois líderes se esbarram em Evian.
Lula tinha acabado de fazer um discurso sobre os desequilíbrios da economia mundial.
“Nunca fui esquerdista”
Horas antes, Lula conversava com líderes de outros países e o audio foi capturado pelos microfones da sala. No diálogo informal, ele insistiu que o “mundo é de centro” e que ele mesmo também se via dessa forma. “Nunca fui esquerdista”, disse.
Lula relatava como mantinha relações muito positivas com os sindicatos da Alemanha e Itália. Também contou que foi convidado para ir para a Rússia nos anos 80, mas que foi impedido. O brasileiro ainda indicou que passou a ser visto como um “anti-comunista” na Europa naquele momento.
Na noite de terça-feira, também em Evian, Lula e Trump també se cumprimentaram. O gesto entre os dois ocorreu durante um evento social organizado pelos anfitriões franceses do G7.
Emmanuel Macron, que presidente a reunião, havia colocado na agenda um concerto de um coral, seguido por um jantar restrito apenas aos chefes de estado. Foi após o evento musical que os dois líderes trocaram saudações, segundo relatos de quem esteve presente. Não houve foto e ambos seguiram para um jantar oferecido pelos franceses.
Apesar do gesto, Lula e Trump não se reuniram de forma bilateral para tratar do conteúdo da relação bilateral.
O evento, sediado pela França, termina nesta quarta-feira. Mas, com as negociações técnicas sobre tarifas ainda em andamento entre Brasil e EUA, a avaliação de ambos os lados é de que não há ainda espaço que justifique levar o tema para o nível político mais elevado em um encontro formal.
Na terça-feira, a cúpula do G7 começou com uma foto de família entre os chefes de governo dos países que fazem parte do bloco e quatro convidados, entre eles o Brasil.
Um episódio causou polêmica em parte da imprensa brasileira. Ao subir ao local reservado para a foto, Lula foi abraçado por Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu. Ele ainda saudou Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, e o presidente do Egito, Al Sisi.
O egípcio estava ao lado de Trump. Mas, neste momento, Lula foi orientado a ir para o outro lado do grupo, já para se posicionar para a foto.
No espaço reservado para ele, o brasileiro saudou Friedrich Merz, chanceler alemão, e Ursula van der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Ao final da foto, Lula continuou a conversa com a europeia, com a ajuda de seu intérprete. Neste momento, Trump passou por ele e pareceu fazer um gesto na direção de Lula. O brasileiro, porém, não reagiu. O governo garante que Lula jamais teria esnobado o americano de forma deliberada.
Ao entrar na sala de reuniões, Lula foi colocado ao lado de Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá.