Por Gabriel Gomes
Os vídeos divulgados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), nesta quarta-feira (24), em que ela afirmou que seu enteado mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a desrespeitou e maltratou provocaram reações negativas nas redes sociais. A postagem escancarou um racha no clã Bolsonaro.
De acordo com levantamento feito analista Pedro Barciela nas redes sociais bolsonaristas, o assunto foi amplamente dominado por críticas à ex-primeira-dama. Nas páginas oficiais de Michelle Bolsonaro, 64% dos comentários foram potencialmente negativos e 35% foram potencialmente positivos para Michelle.
Nos vídeos publicado nas redes sociais, a ex-primeira-dama criticou a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato a governador do Ceará, e fala dos ataques feitos pelos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE). A briga entre Michelle e os filhos de Bolsonaro pelo palanque do Ceará ocorreu em dezembro.
Segundo Pedro Barciela, nas redes de Michelle, os comentários potencialmente negativos incluem quem considera o vídeo inoportuno, desnecessário, prejudicial à direita, favorável ao PT/Lula, motivado por ego ou ressentimento, além de defesas diretas de Flávio Bolsonaro contra a exposição pública.
“Há comentários que reconhecem razão parcial em Michelle, mas criticam o momento; dúvidas sobre a estratégia; perguntas sobre candidatura, apoio a Flávio ou intenção do vídeo”, completa o analista.
Já os comentários potencialmente positivos nos perfis de Michelle Bolsonaro incluem “elogios à coragem, coerência, firmeza, defesa de valores, rejeição à aliança com Ciro Gomes, apoio pessoal a Michelle e comentários com palmas ou manifestações de admiração”, segundo Barciela.
Críticas de Michelle a Flávio Bolsonaro
Nos vídeos publicados nesta quarta-feira, Michelle diz que Flávio a criticou nas redes sociais antes de falar com ela e não atendeu o telefone. Depois, retornou a ligação de forma ríspida, dizendo que ela deveria ficar de fora das decisões do partido e não entendia nada de política.
“Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou à ligação. Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou.

Ela continuou: “Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha -e assim permaneço”.
A ex-primeira-dama critica Ciro, defende, nos vídeos, o apoio do PL a Girão (a quem chamou de único candidato verdadeiramente de direita) e reivindica que uma das candidaturas do partido no Senado seja da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), de quem é aliada.
“Ele [Ciro] chamou o meu marido de ladrão de galinhas, de corrupto, de burro, de jumento. Disse que Bolsonaro roubava gasolina. Disse que as esposas de Bolsonaro seriam todas ladras. Disse que os filhos do meu marido -os meus enteados- eram corruptos, que eram ladrões. E deu a eles um apelido: ovos de serpentes nazistóides”, disse Michelle.
Em meio à repercussão das críticas, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro foi às redes sociais por duas vezes na noite de quarta-feira.
Em uma live publicada menos de duas horas após a divulgação do vídeo de Michelle, Flávio não mencionou as acusações da ex-primeira-dama, mas afirmou: “Hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, tratar de futebol, porque o nosso Brasil a gente vai conseguir resgatar junto”, disse.
Após a partida, o senador publicou nota em que declara que jamais desrespeitou uma mulher e afirmou que nunca faria isso com a esposa de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Também pede desculpas diretamente à Michelle e afirma tê-la convidado para uma reunião com lideranças femininas conservadoras.