Por Heloisa Villela
A cúpula do PL reuniu dirigentes do partido nesta quarta-feira (1º) para articular a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Foi o primeiro encontro da sigla desde que Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher, ala feminina do partido, e o clima protocolar não escondeu os sinais de um realinhamento de forças internas.
A presença de Priscila Costa, vereadora de Fortaleza (CE) e vice-presidente do PL Mulher, chamou atenção entre os participantes. Ela era o nome defendido por Michelle Bolsonaro para disputar o Senado pelo Ceará, cargo que o líder do partido no estado, André Fernandes, decidiu reservar ao próprio pai. A expectativa entre as presentes é de que Priscila assuma a presidência do PL Mulher, o que sinalizaria aproximação com o grupo de Flávio e distanciamento da ex-primeira-dama.
A senadora Damares Alves, que também poderia ter comparecido, não foi ao evento, gesto lido por parte do grupo como manutenção de proximidade com Michelle. A deputada federal Bia Kicis, por outro lado, marcou presença e discursou para mobilizar as mulheres do partido em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Racha expõe desgaste entre bolsonaristas
A disputa em torno da candidatura ao Senado pelo Ceará é apontada como um dos motivos do racha no PL, que colocou Michelle e Flávio Bolsonaro em lados opostos. O atrito já expõe desgaste dos dois lados: mulheres presentes na reunião relataram sofrer represálias nas redes sociais, com perda de seguidores por manterem fotos ao lado de Michelle Bolsonaro. Uma delas contou ter sido aconselhada a apagar a única imagem que ainda mantinha com a ex-primeira-dama.
Entre algumas mulheres presentes, a leitura é de que a ex-primeira-dama age em nome próprio, mirando o futuro político pessoal, e deixa em segundo plano o objetivo comum da direita: derrotar o presidente Lula em 2026 e viabilizar a eleição de um candidato disposto a conceder anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O encontro ocorreu na mansão que virou QG da campanha
O encontro aconteceu em uma mansão no Lago Sul, em Brasília, comprada por R$ 14,5 milhões por José Vicente Santini, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, e transformada no novo quartel-general da candidatura, segundo confirmou Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara. O imóvel havia sido identificado em reportagem exclusiva do ICL, que revelou a compra em setembro do ano passado, com R$ 4 milhões de entrada e R$ 10,5 milhões financiados pelo BRB, o mesmo banco que tentou socorrer o banqueiro Daniel Vorcaro. Para obter um financiamento dessa magnitude, Santini precisaria comprovar renda estimada em cerca de R$ 429 mil por mês.
Após a reportagem, o deputado federal Lindbergh Farias (PT) encaminhou à Polícia Federal um pedido de investigação sobre a origem dos recursos, as condições do financiamento e o uso político do imóvel.