Aplicativos de relacionamento

Como encontrar uma parceria sem perder a si mesmo
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Uma de minhas clientes, separada há dois anos após um casamento de vinte, fez uma pergunta que reflete a realidade de muitas pessoas:

“Você acha que já estou preparada para entrar em um aplicativo de relacionamento?”

Ela havia se casado muito jovem. O primeiro namorado tornou-se marido. Vinte anos e dois filhos depois, percebeu que vivia em um relacionamento abusivo e emocionalmente disfuncional.

Quando iniciamos nosso trabalho de desenvolvimento pessoal, fui bastante clara: ela ainda não estava preparada para buscar um novo relacionamento. Antes de encontrar outra pessoa, precisava encontrar a si mesma.

Durante esse processo, construiu uma relação mais saudável consigo própria por meio do autoconhecimento. Aprendeu a reconhecer suas necessidades emocionais, seus valores, seus limites e suas prioridades. Pela primeira vez, compreendeu o que realmente desejava em uma parceria afetiva.

Agora, sim, ela está pronta para conhecer alguém e construir um relacionamento baseado no respeito, na reciprocidade e na liberdade, algo que nunca havia experimentado.

Mas surgiu um novo desafio: os aplicativos de relacionamento.

De encontros casuais aos algoritmos

Até poucas décadas atrás, as pessoas costumavam conhecer seus parceiros de forma bastante diferente. Os encontros aconteciam por intermédio de amigos, familiares, no trabalho, na faculdade, em clubes, festas, viagens ou até mesmo por acaso. Havia um contexto social que permitia observar o outro antes que qualquer interesse amoroso surgisse.

Hoje, a realidade é outra.

Os aplicativos de relacionamento transformaram a maneira como as pessoas iniciam conexões. Em poucos minutos, é possível visualizar dezenas de perfis, conversar com desconhecidos e criar oportunidades que talvez nunca existissem na vida cotidiana.

Essa facilidade, entretanto, também pode provocar uma sensação curiosa: a impressão de que estamos diante de um catálogo de pessoas.

Foi exatamente assim que minha cliente descreveu sua experiência inicial:

“Parece um catálogo em que escolhemos alguém por algumas fotos, sem saber quem aquela pessoa realmente é.”

Ela não está errada.

Os aplicativos aproximam pessoas, mas não substituem aquilo que realmente sustenta um relacionamento: conhecer a história, os valores, o modo de pensar e a forma como o outro vive.

O que você provavelmente encontrará

Quem decide entrar nesse universo precisa compreender que encontrará perfis muito diferentes entre si.

Algumas pessoas estarão emocionalmente disponíveis para construir uma parceria. Outras procurarão apenas encontros casuais. Haverá quem ainda esteja preso ao relacionamento anterior, quem não saiba exatamente o que deseja e quem apresente comportamentos bastante incompatíveis com os seus.

Também haverá situações tão inusitadas que, depois do espanto inicial, renderão boas histórias e muitas risadas.

Tudo isso faz parte do processo.

O importante é entender que, em meio a tantos perfis, também existem pessoas maduras, interessantes e igualmente interessadas em construir um relacionamento saudável.

Como usar os aplicativos de relacionamento com inteligência emocional

Mais importante do que escolher alguém é saber como escolher.

Algumas atitudes podem tornar essa experiência muito mais consciente:

  • Não limite sua busca exclusivamente ao tipo físico. A atração é importante, mas pessoas que fogem do seu padrão habitual podem surpreendê-lo pela afinidade emocional e intelectual.
  • Observe os valores. Eles costumam ser muito mais determinantes para a construção de uma parceria duradoura do que gostos em comum. Valores profundamente incompatíveis raramente são negociáveis.
  • Escute mais do que fala. Conversas revelam maturidade, coerência, interesses, inteligência emocional e forma de enxergar a vida.
  • Não tenha pressa. Um perfil interessante não significa, necessariamente, uma pessoa compatível.
  • Lembre-se de que fotografias apresentam aparência; convivência revela caráter.

O aplicativo aproxima. O autoconhecimento escolhe.

Vivemos uma época em que muitas pessoas se sentem sozinhas, apesar de estarem permanentemente conectadas.

A maioria não procura apenas companhia. Procura alguém com quem possa conversar por horas, rir das pequenas coisas, compartilhar projetos, construir intimidade, viver uma sexualidade saudável e desenvolver uma parceria baseada no respeito e na admiração mútua.

Os aplicativos de relacionamento são apenas uma ferramenta para facilitar esse encontro.

Eles não garantem compatibilidade, amor ou felicidade.

Quem realmente aumenta as chances de construir um relacionamento saudável é o autoconhecimento. Quando sabemos quem somos, o que desejamos e o que não aceitamos mais, fazemos escolhas mais conscientes e nos tornamos menos vulneráveis a repetir padrões que nos fizeram sofrer no passado.

Talvez essa seja a maior transformação dos relacionamentos contemporâneos.

A tecnologia mudou a forma de conhecer pessoas, mas continua sendo o autoconhecimento que determina quem permanecerá ao nosso lado.

Grande abraço!

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