‘A máfia não agia diferente’, diz Trevisan sobre lucro recorde de Trump

Segundo o professor, o presidente dos EUA cercou-se de leais e montou um esquema de criptomoedas que escancara o conflito de interesses no centro do governo
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O enriquecimento recorde de Donald Trump em seu primeiro ano à frente da Casa Branca não é fruto de improviso ou megalomania, mas de um método capaz de transformar o poder presidencial em máquina de lucro pessoal. A análise é do professor Leonardo Trevisan, durante participação no ICL Notícias Primeira Edição desta sexta-feira (3).

Segundo relatórios financeiros já divulgados nos Estados Unidos, Trump acumulou 2,2 bilhões de dólares em 2025, valor três vezes maior que o rendimento de suas empresas em 2024, ano anterior à posse.

Para o professor, o erro de análise generalizado, inclusive entre observadores críticos, foi esperar do presidente estadunidense um comportamento diferente do que ele próprio anunciou desde a formação do gabinete. Ao escolher auxiliares pela lealdade e não pela competência técnica em geopolítica ou economia, o mandatário teria deixado claro, já quando assumiu o poder, que trataria a maior potência do mundo como um ativo particular. “Estava na cara, nós é que não vimos”, afirma.

Enriquecimento com método

O principal mecanismo do enriquecimento, de acordo com Trevisan, teria sido a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas que, segundo ele, opera sem deixar rastros. À frente do negócio estão os dois filhos do presidente e Steve Witkoff, principal negociador estadunidense em temas como a guerra na Ucrânia e o conflito no Oriente Médio. A presidência de uma das companhias ligadas à operação, a Celebrated Coins, ficou com o filho de Witkoff, o que o professor classifica como uma “ação entre amigos”.

A estrutura escancara o conflito de interesses: o mesmo grupo que negocia acordos geopolíticos em nome dos Estados Unidos movimenta, entre si, um negócio bilionário de criptomoedas ligado ao presidente, sem qualquer mecanismo de fiscalização capaz de barrar a sobreposição entre cargo público e interesse privado. “Isso tem nome e sobrenome, a máfia não agia diferente. Quem tem alguma dúvida, assista O Poderoso Chefão“, afirmou.

Os números do enriquecimento

Trump lucrou 2,2 bilhões de dólares em 2025, o equivalente a 11,9 bilhões de reais, no primeiro ano do segundo mandato. O valor faz dele o presidente que mais enriqueceu durante o exercício do cargo na história do país, segundo relatórios financeiros. O salto fica mais evidente na comparação com o ano anterior à posse: em 2024, antes de voltar à Casa Branca, o total de rendimentos de Trump com todas as suas empresas somou 624 milhões de dólares, segundo dados da Receita Federal estadunidense. O lucro praticamente triplicou em um ano de governo.

Parte relevante desse enriquecimento vem de negócios ligados a criptomoedas. Uma reportagem da Forbes, publicada em 2025, mostrou que a fortuna pessoal de Trump saltou de 3,2 bilhões de dólares em janeiro para 7,2 bilhões em outubro, crescimento que coincide com o retorno ao poder.

Confira a análise do professor Leonardo Trevisan:

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