Milhões de pessoas participaram, nesta segunda-feira (6), do cortejo fúnebre do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, pelas ruas de Teerã. Vestidos de preto, os participantes carregaram bandeiras iranianas e faixas com a mensagem “Nós nos levantaremos”, em uma das maiores mobilizações públicas da história recente do país.
A procissão percorreu a capital iraniana da Praça da Revolução até a Praça Azadi, após dois dias de cerimônias realizadas na Grande Mesquita Mosalla, onde também foram homenageados familiares de Khamenei mortos nos ataques.
O sistema de metrô da cidade ficou lotado durante toda a manhã, enquanto milhares de pessoas tentavam chegar ao trajeto do cortejo. Ao longo da caminhada, manifestantes entoaram cânticos religiosos e prestaram homenagens ao líder.
No domingo (5), durante a cerimônia religiosa, também foram registrados gritos de vingança contra os Estados Unidos e mensagens hostis ao presidente americano, Donald Trump.
Khamenei morreu em fevereiro, após um bombardeio israelense que teve como objetivo enfraquecer a liderança iraniana e provocar mudanças no regime do país. Desde então, o governo tem buscado demonstrar unidade nacional diante da crise.
A expectativa das autoridades era de que a procissão durasse entre 10 e 12 horas, devido ao grande número de participantes. Como o acesso à Mesquita Mosalla era limitado, a maior concentração de pessoas ocorreu durante o cortejo pelas ruas da capital.
Entre os presentes estavam integrantes da cúpula política e militar iraniana. A principal ausência foi a do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e sucessor indicado ao cargo. Segundo autoridades iranianas, ele não participou por questões de segurança, embora seus três irmãos tenham comparecido às cerimônias.
O governo destacou que o evento transcorreu sem registros de incidentes graves, resultado de uma ampla operação de organização envolvendo órgãos públicos e voluntários.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que a participação popular representa uma resposta às críticas do Ocidente e demonstra a coesão do país diante das pressões externas.
Segundo ele, as manifestações de luto não foram organizadas artificialmente. “As lágrimas que vemos não podem ser produzidas por ordem. Elas nascem da dor das pessoas, e o mundo pode enxergar essa realidade”, declarou, rebatendo críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia classificado as demonstrações de pesar como encenação.
Pezeshkian também afirmou que o funeral simboliza um compromisso de continuidade do projeto político defendido por Khamenei e acusou Israel de cometer crimes na região com apoio dos Estados Unidos e de países europeus.
Mais de 300 jornalistas estrangeiros receberam autorização excepcional para cobrir as cerimônias, em uma rara abertura promovida pelo governo iraniano para acompanhar o evento.