Um dia depois de convencer a Fifa a suspender o cartão vermelho contra um dos jogadores de sua seleção, o presidente Donald Trump classificou como “muito suspeito” o árbitro que expulsou o atacante americano Folarin Balogun na partida da semana passada contra a Bósnia-Herzegovina. Trata-se do brasileiro Raphael Claus, que apitou a partida.
“Eu vi o lance, e sou uma pessoa que adora esportes… Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração”, disse Trump nesta segunda-feira. Ao conversar com a imprensa, ele confirmou que pediu que o cartão fosse revisto.
A Fifa também emitiu um comunicado pelo qual admite que Trump telefonou para Gianni Infantino, presidente da entidade. Mas rejeitou que a decisão tenha sido resultado de sua pressão.
“Sim, eu discuto regularmente assuntos relacionados à Copa do Mundo com o presidente dos Estados Unidos e, nesse caso, recebi uma ligação do presidente Donald Trump, assim como recebo ligações de chefes de Estado, funcionários governamentais, partes interessadas no futebol e executivos empresariais de todo o mundo sobre muitos temas diferentes”, disse Infantino.
“Durante nossa conversa, expliquei que havia um processo legal em andamento envolvendo os órgãos judiciais independentes da Fifa e que o caso seria decidido no devido tempo pelos órgãos competentes. É assim que o sistema da Fifa funciona, e é um princípio que eu sempre defenderei. Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da Fifa quando elas são emitidas”, completou.
Dossiê contra o brasileiro
Ainda assim, o tom de Trump confirmou a informação revelada pelo ICL Notícias de que, antes da pressão feita pela Casa Branca, um dossiê havia sido montado contra o brasileiro.
“Esse árbitro… é um sujeito meio suspeito se você analisar o passado dele. Ele tomou uma decisão inacreditável”, disse. Num certo momento, Trump chegou até a oferecer entregar o “passado” do árbitro.
“O Balogun é o nosso melhor jogador, ou um dos nossos melhores. E ele lhe deu um cartão vermelho. Eu não sabia o que isso significava… Sim, pedi uma revisão à FIFA”, disse Trump.
Logo depois, o próprio presidente admitiu que sequer sabia da existência de um cartão vermelho.
“Eu não fazia ideia do que diabos era um cartão vermelho. Quando descobri, disse: ‘Só pode ser brincadeira!'”
No mesmo dia do jogo, Trump telefonou para Gianni Infantino para consulta-lo sobre o que diziam as regras da Fifa sobre a retirada de um cartão.
Enquanto isso, sua equipe e aliados, entre eles empresários envolvidos no futebol, iniciaram a construção de um dossiê para denunciar Raphael Claus.
O documento tinha como objetivo mostrar inconsistências do árbitro ao longo de sua carreira e, assim, pressionar a Fifa a agir contra o brasileiro.
Nesta segunda-feira, a crise havia já se ampliado. Numa declaração pública, a UEFA criticou a decisão, classificando-a como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”.