Com Lula e Alckmin, Haddad oficializa candidatura e mira Tarcísio por privatizações e falhas

Chapa terá Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) como candidatas ao Senado
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Com críticas às privatizações, especialmente à venda da Sabesp, e à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) oficializou neste sábado (25), em convenção realizada na Arena Concórdia, em Campinas (SP), a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo paulista nas eleições de outubro.

A chapa terá o ex-governador Márcio França (PSB) como candidato a vice. A federação também confirmou as candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado. A convenção contou com as presenças do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador do estado.

Em discurso, Fernando Haddad centrou críticas ao atual governador paulista, Tarcísio de Freitas. Haddad mencionou as privatizações feitas pela atual gestão paulista. “As privatizações feitas a toque de caixa, tanto a Sabesp quanto o Metrô, CPTM, entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. E a água está faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta d’água subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu”, disse.

O discurso ocorre na semana em que passageiros das linhas de trens 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, em São Paulo (SP), enfrentaram transtornos no início da operação definitiva da concessionária Trivia Trens.

Haddad também questionou os dados de segurança pública e de educação de Tarcísio: “Está tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado: na segurança, na saúde, na educação, população em situação de rua.”

Haddad também criticou o desempenho econômico de São Paulo sob o governo Tarcísio, que registrou crescimento do PIB de apenas 0,4% nos últimos 12 meses, frente à média nacional de 2%. “Como é que o Estado pode estar feliz crescendo um quarto do que cresce o país?”, questionou, apontando ainda o declínio nos indicadores de alfabetização e do ensino médio integral no estado.

O ex-ministro também comentou a honraria concedida pelo governador ao presidente argentino, Javier Milei, na manhã deste sábado durante visita ao Palácio dos Bandeirantes. “O que está disputando, Tarcísio? Dar uma medalha para o Milei, que tem 30% de aprovação e está dando carne de burro para [a população na] Argentina?”.

Haddad oficializou candidatura ao governo de SP | Crédito: Reprodução
Haddad oficializou candidatura ao governo de SP | Crédito: Reprodução

No evento, Haddad também fez críticas a Flávio Bolsonaro (PL), que lançou candidatura à Presidência no mesmo sábado. Flávio jogou dúvidas sobre o processo eleitoral no início desta semana.

“A qualidade da urna eletrônica brasileira é invejada no mundo inteiro. E esses caras estão até hoje falando da urna eletrônica, que deu a vitória para o Bolsonaro em 2018, que deu a vitória para o Tarcísio em 2022”, afirmou.

Candidato a vice-governador, Márcio França (PSB) ressaltou a paridade de gênero da chapa, que conta com dois homens e duas mulheres nos cargos majoritários, contrastando com a chapa adversária, formada exclusivamente por homens. França também dirigiu críticas à trajetória do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificando-o como “ingrato” em relação às suas alianças políticas passadas.

‘Não venham de fora meter o dedo nas nossas eleições’, diz Lula

Em seu discurso na convenção que lançou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado enfático contra as pressões dos Estados Unidos: “Não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições”.

A declaração de Lula reage diretamente às revelações de que o governo de Donald Trump planeja enviar funcionários de alto escalão a Brasília para lançar dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas brasileiras.

“Quem quiser vir de fora se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 158 milhões de eleitores. Quem vai definir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo. E por isso o aviso tá dado. O Brasil é soberano”, exaltou Lula.

Lula discursando em convenção do PT em São Paulo | Crédito: Reprodução
Lula discursando em convenção do PT em São Paulo | Crédito: Reprodução

Lula elogiou a lealdade de Haddad e o qualificou como o “melhor ministro da economia que o país já teve”, enumerando os feitos de sua gestão à frente do Ministério da Fazenda.

Lula também elogiou o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) por sua postura digna e de respeito mútuo, mesmo nos momentos em que atuavam em campos opostos. O presidente comentou ainda sobre seu vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), classificando-o como o “melhor vice da história desse país, cuja lealdade afasta qualquer fantasma de ruptura institucional”.

O presidente traçou uma linha ética divisória entre os integrantes da coligação progressista e os seus adversários políticos paulistas e nacionais: “Dessa turma aqui, nenhum tem vergonha do que fez na vida. Aqui ninguém nasceu com miliciano. Aqui ninguém nasceu com o crime. Aqui são pessoas que conquistaram o direito de andar de cabeça erguida, com muita humildade, mas de cabeça levantada”.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) focou seu pronunciamento na crítica técnica às privatizações de infraestrutura no Estado. Alckmin afirmou que a venda da Sabesp ocorreu abaixo do valor real de mercado e que as concessões do metrô e de trens metropolitanos têm resultado em constantes colapsos operacionais.

Tebet faz críticas a Flávio Bolsonaro

A ex-ministra e candidato ao Senado Simone Tebet (PSB) centrou críticas a Flávio Bolsonaro. “Estamos enfrentando os mesmos desafios do passado. Do lado de lá, não há um democrata, mas um golpista de plantão. Tal pai, tal filho. Já começou questionando a segurança das urnas. Já sente o cheiro da derrota e quer colocar em dúvida os resultados”, disse a senadora.

Tebet fez alusão à fala de Paulo Figueiredo, aliado bolsonarista de Flávio, que disse que “as mulheres votam mal (sic)”. “Em seus nomes, quero cumprimentar todas as mulheres paulistas e brasileiras que se fazem aqui presentes. Nós vamos votar com inteligência”, afirmou a também ex-ministra.

Marina Silva cita tarifaço

Na convenção, a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática Marina Silva (Rede) fez críticas ao tarifaço, que vinculou a uma articulação de Flávio. “Não é possível ter um presidente da República que trama contra o Brasil, que vai atrás de taxação para destruir a indústria [brasileira]”, disse ela. “Essas pessoas não estão fazendo mal a uma ideologia, estão fazendo mal a um povo, a uma nação”, afirmou.

Em seguida, disse que “não é possível abrir mão da soberania, não é possível abrir mão da democracia”, e também defendeu as ações do presidente Lula ao combate ao desmatamento, que teve o menor índice no primeiro semestre desde 2016.

*Com informações do Brasil de Fato e Folhapress

 

 

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