Um motorista que trabalhava para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, esteve ao menos quatro vezes na Câmara dos Deputados, em fevereiro de 2024, para visitar gabinetes de parlamentares. São eles: Geraldo Mendes, o “Homem do Chapéu” (União-PR); Benes Leocádio (União-RN); Pedro Westphalen (PP-RS); e Sanderson (PL-RS).
Os registros da portaria foram fornecidos à coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, após pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI). Procurados pela reportagem, os parlamentares negaram conhecer o homem identificado como Sidney Santos, apelidado de “Kiko”.
“Não conheço e nunca vi o indivíduo mencionado. Em nenhum momento recebi ou conversei, seja no meu gabinete ou em qualquer outro lugar, com o indivíduo mencionado”, diz a nota do deputado Sanderson.
As entradas foram registradas nos dias 7, 8, 15 e 20 de fevereiro de 2024. Conforme a documentação, a primeira visita ocorreu ao gabinete de Geraldo Mendes, às 16h33; seguida por Benes Leocádio, às 9h; Pedro Westphalen às 10h43 e; por último, Sanderson às 10h45.
Procurado em junho para comentar os encontros, Sidney disse: “eu quero é distância desse povo, tá bom?”.
Relação Vorcaro – Ciro Nogueira
O nome do motorista apareceu pela primeira vez em maio deste ano, durante as buscas em endereços do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O mandato foi autorizado pelo relator do caso Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que citou o motorista indiretamente na decisão.
Na deliberação, André Mendonça relata que, em meio à relação mantida entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro enviou um motorista à casa do senador, em novembro de 2023, para buscar minutas de um projeto de lei. Sidney não é investigado em nenhum dos casos.
Os rascunhos foram revisados em um escritório indicado por Vorcaro e, posteriormente, devolvidos a Ciro Nogueira. Sidney Santos era o responsável por transportar os documentos entre o senador e o ex-banqueiro.
“A denotar que haveria nos episódios algo que iria além das vias ordinariamente empregadas no âmbito das relações que se estabelecem entre atores políticos e a iniciativa privada, os investigadores enfatizam que Daniel Vorcaro teve o cuidado de orientar a pessoa responsável por promover a devolução dos documentos ‘para que o motorista não consiga vincular o transporte do documento ao parlamentar’, bem como para que ‘o envelope utilizado não faça referência ao Banco Master’”, disse André Mendonça durante a decisão.
As minutas diziam respeito a dois projetos de lei voltados à regulamentação do mercado de créditos de carbono, pauta de interesse de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.