Por Letícia Casado e Aléxia Sousa
(Folhapress) – O PL (Partido Liberal) anunciou nesta quarta-feira (5) o empresário Flávio Roscoe como candidato ao Governo de Minas Gerais. A oficialização do nome ocorre após um período de indefinição na direita e consolida o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, no segundo maior colégio eleitoral do país.
O anúncio foi feito em vídeo no qual Flávio aparece ao lado do candidato, que é ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). Na gravação, o senador classifica Roscoe como “um candidato de altíssimo preparo e confiança”.
“Muito obrigado, xará, pela confiança. Muito obrigado à bancada, por todos aqueles que me apoiaram nesse momento. Entrarei em contato com vocês urgentemente para que possamos estabelecer um plano de trabalho com cada um. Vamos trabalhar para, em conjunto, mudar a realidade de Minas Gerais”, afirmou Roscoe.
A escolha encerra uma disputa interna no campo da direita em Minas. Durante boa parte do ano, o principal nome cotado foi o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas de intenção de voto.
O parlamentar, porém, alternou sucessivos movimentos sobre disputar ou não o governo estadual. Na segunda-feira (3), divulgou vídeo ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, anunciando que desistiria da candidatura por não se sentir em condições de fazer campanha após a morte do irmão, Matheus Azevedo, em julho.
No dia seguinte, durante a convenção nacional do partido, interrompeu o evento para pedir publicamente que fosse autorizado a concorrer. O gesto causou constrangimento e levou a uma reprimenda pública de Pereira, que afirmou ser “irresponsável” entregar Minas “a uma pessoa que ora pensa uma coisa e, cinco minutos depois, pensa outra”. Após o episódio, Cleitinho disse que ainda tentaria convencer a direção da legenda, mas descartou recorrer à Justiça.
Nesse cenário, o PL consolidou a candidatura de Roscoe, que se filiou ao partido no fim de março após deixar a presidência da Fiemg. À época, ele era cotado tanto para disputar o governo quanto para compor como vice uma eventual chapa encabeçada por Mateus Simões (PSD).
Também nesse campo político, se lançou o ex-secretário estadual Marcelo Aro (PP).
Em entrevista à Folha de S. Paulo naquele mês, quando seu nome aparecia como possibilidade em um documento interno do partido que acabou vazado, Roscoe dizia ainda não ter decidido se entraria na disputa.
“Meus amigos falam: ‘você está doido’. O Governo de Minas Gerais é uma bomba”, afirmou na ocasião.
Segundo ele, uma candidatura só faria sentido se estivesse vinculada a um projeto político, e não a um “projeto de poder”. “Se eu não for, melhor ainda”, declarou à época.
Na mesma entrevista, Roscoe confirmou conversas com Flávio Bolsonaro e com dirigentes do PL, embora negasse ter trabalhado para viabilizar seu nome. Também afirmou que considerava o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) seu candidato preferido para disputar o governo, hipótese descartada pelo parlamentar.
A definição do candidato em Minas tornou-se prioridade para a cúpula do PL por causa do peso eleitoral do estado. Com 16 milhões de eleitores, Minas reúne o segundo maior eleitorado do país, atrás apenas de São Paulo, e tradicionalmente funciona como termômetro das eleições presidenciais: desde 1950, o vencedor da disputa presidencial no estado também venceu a eleição nacional.
Por isso, dirigentes do PL admitem que o principal objetivo é construir um palanque competitivo para Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto.
O impasse, porém, não foi exclusividade da direita. O presidente Lula (PT) passou boa parte do ano tentando convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) a disputar o governo mineiro.
Com a recusa e a decisão do senador de encerrar a carreira política, aliados passaram a discutir alternativas como o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB), a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), o empresário Josué Gomes da Silva (PSB) e até uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
Nenhuma das alternativas prosperou. Ao fim das negociações, o PT decidiu lançar o deputado federal Patrus Ananias ao Governo de Minas, tendo Marília Campos como candidata ao Senado, encerrando também o processo de definição do palanque de Lula no estado.