Entenda o que é o ciclone bomba que pode passar entre hoje e amanhã no Brasil

Fenômeno chamado ciclone bomba pode causar tempestades e queda na temperatura
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Um ciclone extratropical em processo de intensificação deve mudar as condições do tempo em boa parte do Brasil a partir desta quinta-feira (6). A previsão indica chuva forte, temporais e rajadas de vento que podem superar os 100 km/h em algumas regiões, com maior impacto esperado nos estados do Sul. O sistema, no entanto, também deve influenciar áreas do Sudeste e do Centro-Oeste.

A formação do ciclone ocorrerá sobre o Oceano Atlântico, próximo ao litoral do Rio Grande do Sul. Embora o centro do fenômeno permaneça sobre o mar, a frente fria e a circulação de ventos associadas ao sistema devem espalhar instabilidades por diversos estados, favorecendo a ocorrência de chuva intensa, descargas elétricas e ventania.

Meteorologistas alertam que, caso a pressão atmosférica no centro do ciclone diminua de forma muito rápida em um intervalo inferior a 24 horas, o sistema poderá ser classificado como um ciclone bomba. Esse tipo de fenômeno é caracterizado por uma intensificação explosiva da baixa pressão, o que costuma potencializar a força dos ventos, aumentar o volume de chuva e provocar queda acentuada nas temperaturas.

Rio Grande do Sul concentra maior risco

O cenário mais crítico deve ocorrer nesta quinta-feira no Rio Grande do Sul. A previsão aponta temporais em praticamente todo o estado, com possibilidade de queda de granizo e rajadas de vento entre 90 km/h e 110 km/h.

Além disso, há condições favoráveis para a formação de tornados, principalmente nas regiões Oeste e das Missões.

Os maiores acumulados de chuva são esperados para a metade oeste do estado, além das áreas sul e do litoral sul gaúcho. Em alguns municípios, os volumes podem chegar perto de 100 milímetros em poucas horas, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e rápida elevação do nível de arroios e pequenos rios.

A força dos ventos também pode provocar destelhamentos, queda de árvores, postes e placas, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Banhistas se assustam com as fortes rajadas de vento na praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, na tarde desta quarta-feira (29). Foto: José Lucena/Folhapress
Banhistas se assustam com as fortes rajadas de vento na praia de Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Foto: José Lucena/Folhapress

Instabilidade avança para o Sudeste

De acordo com a Climatempo, as áreas de instabilidade associadas ao ciclone devem atingir os três estados da Região Sul e avançar em direção ao Sudeste, alcançando São Paulo, Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais.

Em território paulista, a chuva deve começar ainda nas primeiras horas de quinta-feira, principalmente nas regiões oeste, sudoeste, centro, litoral e na Grande São Paulo.

Mesmo com uma redução temporária da instabilidade durante parte da manhã em algumas localidades, a previsão indica que as pancadas voltarão a se intensificar entre a tarde e a noite.

As condições para temporais serão maiores no centro-sul do estado, incluindo as regiões de Campinas, Sorocaba, a capital paulista e o litoral.

As rajadas de vento devem variar entre 50 km/h e 70 km/h em grande parte de São Paulo. No entanto, a previsão aponta que, na sexta-feira (7), os ventos podem ultrapassar os 100 km/h no litoral sul paulista, especialmente nas áreas mais expostas à influência do ciclone.

Ciclone bomba

A passagem de um sistema de baixa pressão, a partir desta quinta-feira (6), sobre o norte da Argentina e o Paraguai pode dar origem a um ciclone extratropical com características mais intensas, o chamado ciclone bomba.

Segundo o astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Micael Cecchini, o sistema de baixa pressão ocorre quando uma massa de ar muito fria se aproxima de outra massa de ar quente e a diferença de temperatura causa uma rápida diminuição da pressão entre elas.

Na prática, isso causa um ciclone que, para ser considerado bomba – ou ciclogênese explosiva, que é o nome científico do fenômeno – precisa apresentar uma queda na pressão atmosférica, a partir de 24 hPa (milibares) em um período de 24 horas.

“Milibares é a unidade de pressão que a gente usa para medir a pressão atmosférica”, explica o professor que recebe apoio do Instituto Serrapilheira.

A previsão é de que isso ocorra na passagem do sistema pela região entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, no Brasil.

Como a pressão é mais baixa e a diferença de temperatura é mais intensa nos casos de formação de ciclone bomba, as tempestades se formam na divisa entre as duas massas.

“A massa de ar frio avança por baixo da massa de ar quente, porque ela é mais densa, e aí faz o ar quente subir, e é o que forma as nuvens e as tempestades. Se a diferença de temperatura é grande, essa ascensão vai ser mais intensa.”

Intensidade

A consequência são tempestades mais intensas, com descarga elétrica e possibilidade de granizo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), se a previsão se confirmar isso deve ocorrer a partir de amanhã e seguir até sábado (8).

As imagens de satélite apontam que os ventos mais intensos devem ocorrer principalmente sobre o Oceano Atlântico, com velocidade que pode superar 100 quilômetros por por km/h.

Na faixa costeira dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são esperadas rajadas de vento superiores a 60 km/h.

À medida que o ciclone se desloque em direção ao Oceano Atlântico, no sentido sudeste, e se afaste da região costeira, uma frente fria associada ao fenômeno deve passar sobre a Argentina e o Sul do Brasil.

A previsão é de que a entrada de uma massa de ar frio provoque a queda das temperaturas.

 

*Com informações da Agência Brasil

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