Nas últimas semanas, conversamos sobre emoções, dor e EFT.
Primeiro, falamos sobre a importância de identificar e nomear aquilo que sentimos.
Depois, conhecemos a EFT- Emotional Freedom Techniques, ou Técnicas de Liberdade Emocional e vimos como o tapping pode ser utilizado para lidar com dores pontuais e também com diferentes estados emocionais.
Hoje quero encerrar essa série falando sobre algo que está no centro do meu trabalho: os relacionamentos.
Porque talvez um dos lugares onde nossas emoções mais apareçam, e também onde mais possam nos confundir seja justamente nas nossas relações.
Quando o relacionamento termina, mas a emoção continua
Você já sentiu uma vontade quase irresistível de procurar alguém que sabe que não deveria procurar?
Aquela necessidade de mandar uma mensagem.
Ver se a pessoa está online.
Entrar nas redes sociais.
Tentar descobrir se a pessoa está com alguém.
Reabrir uma conversa que você sabe que deveria permanecer encerrada.
Muitas vezes, acreditamos que estamos procurando aquela pessoa porque ainda a amamos.
Mas será que é sempre amor?
Pode ser saudade.
Solidão.
Ansiedade.
Medo de perder definitivamente.
Rejeição.
Abandono.
Carência.
Ou simplesmente a dificuldade de suportar o vazio deixado pela ausência daquela pessoa.
Sentir vontade de procurar alguém não significa necessariamente que devemos procurá-la.
E é justamente nesse intervalo entre sentir e agir que uma técnica como a EFT pode ser uma ferramenta de autocuidado.
Antes de enviar aquela mensagem, podemos parar.
Respirar.
Identificar o que estamos sentindo.
E utilizar o tapping para ajudar a diminuir a intensidade daquela emoção.
Não para negar o que sentimos, mas para recuperar a capacidade de escolher.
Porque uma coisa é agir porque realmente queremos.
Outra é agir porque estamos emocionalmente descontrolados.
Quando estamos dentro de um relacionamento
Mas, a EFT também pode ser muito útil quando o relacionamento existe. Talvez até mais do que imaginamos. Porque estar em uma relação não significa estar emocionalmente equilibrado o tempo todo. Podemos amar profundamente alguém e, ainda assim, sentir raiva.
Ressentimento.
Ciúme.
Medo.
Insegurança.
Frustração.
Angústia.
E quando essas emoções assumem o controle, podemos começar a nos comunicar a partir delas e não a partir daquilo que realmente queremos dizer. É aí que muitos conflitos começam. Uma pessoa está magoada e acusa. A outra se sente atacada e se defende. A primeira sente-se ainda menos compreendida e aumenta a cobrança. A segunda se fecha. E, pouco a pouco, uma conversa que poderia aproximar o casal transforma-se em uma disputa para descobrir quem está certo.
No fundo, muitas vezes, não estamos tentando ser compreendidos.
Estamos tentando fazer o outro sentir aquilo que estamos sentindo. E isso raramente produz conexão. Quando a emoção fala mais alto que a necessidade.
Imagine que você esteja com muita raiva do seu parceiro. Talvez o que você realmente precise seja de consideração.
Mas, tomado(a) pela raiva, você diz:
“Você nunca se importa comigo!”
Talvez exista uma necessidade legítima por trás dessa frase. Mas ela chega ao outro como uma acusação. E acusações costumam gerar defesa.
Agora imagine que, antes dessa conversa, você reconheça a raiva, faça alguns minutos de tapping e consiga diminuir a intensidade emocional. A necessidade continua existindo. Mas agora você consegue expressá-la de outra maneira:
“Quando isso acontece, eu me sinto pouco considerada. Eu preciso sentir que aquilo que é importante para mim também é importante para você.”
Perceba a diferença.
A necessidade é praticamente a mesma. Mas quem está falando agora não é a raiva.
É você.
EFT não elimina o problema. Ela pode mudar a maneira como você chega até ele.
Essa é uma distinção fundamental. Utilizar EFT em um relacionamento não significa deixar de conversar sobre aquilo que incomoda. Não significa aceitar comportamentos inadequados. Não significa engolir a raiva, o ressentimento ou a frustração. E muito menos significa evitar conflitos.
Relacionamentos saudáveis também precisam de conversas difíceis. A questão é como chegamos a essas conversas.
Quando estamos emocionalmente ativados, nossa percepção pode ficar mais rígida. Podemos interpretar palavras de maneira diferente, lembrar apenas aquilo que confirma nossa mágoa e responder impulsivamente. Quando conseguimos reduzir essa intensidade, abrimos espaço para outra possibilidade: escutar, pensar e escolher. E isso pode transformar completamente uma conversa.
Entre a emoção e a reação existe uma escolha. Talvez seja essa uma das maiores contribuições que a EFT pode oferecer aos relacionamentos.
Criar um pequeno espaço entre aquilo que sentimos e aquilo que fazemos.
Nesse espaço, podemos escolher.
Em vez de mandar a mensagem impulsivamente, podemos esperar.
Em vez de atacar, podemos explicar.
Em vez de acusar, podemos expressar.
Em vez de cobrar, podemos dizer do que precisamos.
Em vez de agir pelo medo de perder, podemos escolher aquilo que realmente desejamos construir.
E é justamente para ajudar você a criar esse espaço que preparei um vídeo sobre EFT para melhores relacionamentos.
Nele, mostro como você pode utilizar a técnica quando estiver vivenciando emoções que estão interferindo na sua relação, ajudando a diminuir a intensidade dessas emoções para que consiga se comunicar de maneira mais consciente.
Assista ao vídeo: EFT para Melhores Relacionamentos
https://www.youtube.com/watch?v=-svJicv68nU&t=15s
A proposta não é deixar de sentir raiva, ciúme, medo ou ressentimento. É evitar que essas emoções assumam o comando e falem por você. Porque, quando conseguimos cuidar daquilo que sentimos antes de reagir, podemos voltar para aquilo que realmente importa: o que precisamos, o que desejamos comunicar e que tipo de relacionamento queremos construir.
Antes de falar, pergunte: o que realmente estou sentindo?
Da próxima vez que estiver prestes a iniciar uma conversa difícil, experimente fazer uma pequena pausa.
Pergunte a si mesmo:
O que estou sentindo?
É raiva?
Medo?
Ciúme?
Ressentimento?
Tristeza?
Frustração?
Angústia?
E depois faça uma segunda pergunta, talvez ainda mais importante:
O que existe por trás dessa emoção?
O que eu realmente preciso?
Ser ouvido?
Sentir-me respeitado?
Ter mais carinho?
Ter segurança?
Ser reconhecido?
Estabelecer um limite?
Ter reciprocidade?
Receber uma resposta?
Ser compreendido?
Essa investigação pode mudar a maneira como você se comunica.
Porque uma emoção pode ser verdadeira, mas a maneira como reagimos a ela nem sempre é a melhor expressão daquilo que precisamos.
Entre sentir e agir, podemos escolher
Talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes possibilidades da EFT. Criar um pequeno espaço entre aquilo que sentimos e aquilo que fazemos.
Nesse espaço, podemos escolher.
Em vez de mandar uma mensagem impulsivamente, podemos esperar.
Em vez de atacar, podemos explicar.
Em vez de acusar, podemos expressar.
Em vez de cobrar, podemos dizer do que precisamos.
Em vez de agir pelo medo de perder, podemos escolher aquilo que realmente desejamos construir.
E isso vale tanto para quem está sozinho quanto para quem está em um relacionamento.
Para quem está tentando superar alguém.
Para quem está tentando encontrar alguém.
E para quem já encontrou, mas quer construir uma relação mais saudável.
Construa melhores relações com EFT
Relacionamentos não são construídos apenas com amor. São construídos com comunicação, consciência, responsabilidade afetiva, respeito, reciprocidade e capacidade de olhar para si mesmo.
Amar alguém não significa que todas as nossas emoções desaparecerão.
Significa que precisamos aprender a cuidar delas para que não destruam aquilo que desejamos construir.
E talvez você possa começar hoje.
Quando sentir vontade de procurar alguém que sabe que não deveria procurar, pare.
Quando estiver prestes a iniciar uma discussão tomado pela raiva, pare.
Quando perceber que o ressentimento está falando por você, pare.
Respire.
Identifique a emoção.
Perceba a necessidade que existe por trás dela.
E, se fizer sentido para você, utilize a EFT para ajudar a reduzir a intensidade emocional antes de agir.
Não para deixar de sentir.
Mas para que a emoção não decida por você.
Porque quando conseguimos cuidar daquilo que acontece dentro de nós, podemos começar a construir relações muito melhores do lado de fora.
Construa melhores relações com EFT.
E lembre-se:
Não é sobre sentir menos.
É sobre compreender melhor o que sentimos para poder escolher melhor como agir.
Grande abraço,