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Por Cleber Lourenço

Sete em cada dez argentinos desaprovam os ataques do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva. Pesquisa da Zuban Córdoba y Asociados mostra que 70,5% rejeitam as investidas do argentino contra Lula, enquanto apenas 20% aprovam a postura. Outros 9,5% não souberam responder.

Os números mostram ainda que a estratégia de confronto de Milei esbarra na percepção dos próprios argentinos sobre a relação com o Brasil. Para 88,9% dos entrevistados, o Brasil e sua economia são importantes para a economia argentina. Apenas 10,5% consideram que não são importantes.

Em entrevista ao ICL Notícias, Gustavo Córdoba, diretor da Zuban Córdoba y Asociados e mestre em Comunicação Política pela Universidad Austral, afirmou que os 20% que aprovam os ataques representam a parcela mais fiel do eleitorado do presidente argentino.

“Uma maioria consistente dos argentinos não acompanha a agressão de Milei a Lula. Apenas 20% dos que responderam à pesquisa apoiam essa postura. Podemos considerar esses 20% como uma espécie de ‘núcleo duro’, que acompanha qualquer conduta ou declaração de Milei, não importa em que direção ele se pronuncie”, afirmou Córdoba ao ICL.

A Zuban Córdoba y Asociados é uma consultoria argentina especializada em pesquisa de opinião pública e comunicação política, com mais de 30 anos de atuação no mercado argentino. Córdoba dirige o instituto ao lado de Ana Paola Zuban, diretora de pesquisa.

A leitura do diretor do instituto ganha força quando os resultados são separados de acordo com o histórico eleitoral dos entrevistados. Mesmo entre os eleitores de Milei, os ataques ao presidente brasileiro estão longe de produzir uma adesão uniforme.

Entre aqueles que disseram ter votado em Milei no primeiro turno da eleição presidencial de 2023, 49% aprovam os ataques contra Lula, mas 29,4% desaprovam e 21,6% não souberam responder. Ou seja, nem mesmo nesse grupo a aprovação alcança a maioria absoluta.

Entre os eleitores que escolheram Milei contra Sergio Massa no segundo turno, a divisão é ainda mais apertada: 42,5% aprovam os ataques, enquanto 38,3% desaprovam. Outros 19,2% não souberam responder.

O mesmo fenômeno aparece quando considerado o voto mais recente. Entre os entrevistados que declararam ter votado na La Libertad Avanza nas eleições legislativas nacionais de 2025, 48,6% aprovam os ataques contra Lula, 31,4% desaprovam e 20% não têm posição definida.

Fora da base de Milei, a rejeição cresce significativamente. Entre os eleitores de Sergio Massa no primeiro turno presidencial, 98,1% desaprovam os ataques. Entre os que votaram em Juan Schiaretti, a rejeição é de 72,7%. No eleitorado de Patricia Bullrich, 47,9% desaprovam e 35,6% aprovam.

A pesquisa também aponta uma diferença entre homens e mulheres. Entre as mulheres argentinas, 72,3% desaprovam os ataques contra Lula e somente 14,3% aprovam. Entre os homens, 67,6% desaprovam e 25,5% aprovam.

A faixa na qual Milei encontra maior receptividade é a dos mais jovens. Entre entrevistados de 16 a 30 anos, 33,3% aprovam os ataques e 44,4% desaprovam. A rejeição chega a 73,1% entre aqueles de 46 a 60 anos e a 71,6% entre os maiores de 60 anos.

Brasil é considerado importante até entre eleitores de Milei
O segundo bloco da pesquisa ajuda a dimensionar por que o confronto político com Lula encontra resistência. Quando perguntados sobre a importância do Brasil e de sua economia para a economia argentina, 88,9% dos entrevistados responderam que consideram o país importante. Somente 10,5% disseram o contrário e 0,6% não souberam responder.

A percepção atravessa as divisões políticas. Entre os argentinos que votaram em Milei no primeiro turno presidencial, 66,7% reconhecem a importância do Brasil para a economia do país, enquanto 31,5% dizem que não é importante.

Entre os eleitores de Milei no segundo turno, o reconhecimento sobe para 79,8%. O mesmo percentual aparece entre aqueles que votaram na La Libertad Avanza nas eleições legislativas de 2025. Entre os eleitores do peronismo nesse último pleito, são 98%.

Ao ICL Notícias, Córdoba destacou justamente o contraste entre a postura do presidente e a percepção da sociedade argentina sobre o peso da relação bilateral.

“A sociedade argentina conhece e compreende a importância da relação entre os países de maneira muito majoritária”, afirmou.

Para Córdoba, os resultados também colocam em questão a forma como Milei conduz a relação política com o Brasil.

“Talvez seja a maneira ruim que Milei tem de entender as relações entre os países. Realmente inexplicável”, disse o diretor da Zuban Córdoba y Asociados ao ICL Notícias.

A pesquisa ouviu 1.200 pessoas com mais de 16 anos em toda a Argentina entre os dias 8 e 10 de agosto. A coleta foi realizada 100% online. O levantamento informa margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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