OMS defende calendário de vacinação infantil após Trump reduzir recomendações nos EUA

Organização afirma que recomendações são baseadas em mais de 60 anos de pesquisas sobre doenças e desenvolvimento do sistema imunológico
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou nesta terça-feira (11) que os calendários de vacinação infantil adotados pelos países são definidos com base em evidências científicas, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinar uma redução no número de vacinas recomendadas para crianças no país.

A decisão foi anunciada na segunda-feira (10), quando Trump assinou um decreto que estabelece a redução do calendário americano para 11 vacinas. Segundo o presidente, a mudança teria como objetivo oferecer uma proteção considerada por ele de “padrão-ouro” e aproximar os Estados Unidos das políticas adotadas por outros países desenvolvidos.

Especialistas em imunização, porém, ressaltam que a comparação entre os calendários não pode ser feita apenas pelo número de vacinas. Países diferentes enfrentam riscos distintos de doenças e possuem características próprias em seus sistemas de saúde.

Em Genebra, o porta-voz da OMS Tarik Jašarević afirmou que as recomendações internacionais são resultado de mais de seis décadas de pesquisas conduzidas pela própria organização, por autoridades nacionais e por grupos independentes de especialistas. A informação é da agência Reuters.

Segundo ele, a definição da idade e do intervalo para cada vacina considera fatores como o período em que uma pessoa está mais vulnerável a determinadas doenças e o estágio de desenvolvimento do sistema imunológico.

“Esperamos que todos os países utilizem essas melhores evidências científicas de que dispomos”, afirmou Jašarević durante uma coletiva de imprensa.

A OMS também destacou que os governos costumam contar com grupos técnicos nacionais formados por especialistas de diferentes áreas para elaborar suas políticas de imunização. Esses comitês analisam as evidências disponíveis e consideram as orientações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage), da organização.

Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre o conflito no Irã na Sala de Imprensa James S. Brady da Casa Branca, em 6 de abril de 2026, em Washington, DC. (Foto de SAUL LOEB / AFP)

Mudanças são criticadas por especialistas

A decisão do governo Trump provocou críticas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas. Eles afirmam que não foram apresentadas novas evidências científicas capazes de justificar uma alteração tão ampla no calendário de imunização.

Médicos também alertam que a redução das vacinas recomendadas pode aumentar a vulnerabilidade de crianças a doenças que podem ser prevenidas por imunização. Outra preocupação é que mudanças nas orientações provoquem dúvidas entre os pais e contribuam para atrasos ou perda de doses.

A política também atende a uma das bandeiras defendidas pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que há anos questiona a segurança das vacinas e promove alegações de associação entre imunizantes e autismo. Estudos científicos e autoridades de saúde pública, no entanto, não encontraram evidências que sustentem essa relação.

Vacina contra sarampo, caxumba e rubéola

Entre as mudanças previstas pelo decreto está a recomendação para que a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola seja administrada separadamente, em três aplicações.

A fabricante MSD criticou a alteração e afirmou que não existem evidências científicas publicadas indicando benefícios na divisão da vacina. A empresa também alertou que a necessidade de consultas e aplicações separadas pode aumentar o risco de atrasos ou de doses que deixem de ser administradas.

A discussão ocorre em meio a um debate mais amplo nos Estados Unidos sobre a política de imunização infantil e o papel das evidências científicas na definição das recomendações de saúde pública.

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