O Departamento de Estado norte-americano publicou nesta terça-feira um video nas redes sociais no qual deturpa o sentido da Doutrina Monroe. Mas, acima de tudo, alerta que “o domínio” de Washington sobre o continente latino-americano “nunca mais será questionado”.
Desde o ano passado, o presidente Donald Trump passou a designar a região como sua prioridade, numa estratégia marcada para reduzir o papel da China no continente latino-americano.
Para explicar a ofensiva militar, política e econômica sobre a região, o governo Trump agora produziu um video no qual relembra os episódios da história americana na região e justifica guerras, invasões e derrubadas de governos como parte de uma estratégia para impedir que o continente fosse alvo da cobiça de europeus.
Além da monarquia no México, de uma suposta tentativa de anexação da República Dominicana e outros momentos chaves, o video aponta que uma guinada ocorre quando, no final do século 19, os EUA se apresentam como potência soberana na região. “Não era só um alerta. Era uma primazia dos EUA”, disse.
No vídeo, o relato mostra como, em 1899, os EUA expulsam a Espanha de Cuba e confiscam Porto Rico.
Neste momento, o narrador fala com orgulho que, naquele momento, os EUA “desembarcaram no cenário internacional como potência imperial com domínio sobre o Caribe”.
Quatro anos depois, isso seria testado depois na Venezuela. Caberia a Roosevelt, diz a história apresentada pela Casa Branca, estabelecer que, quando um país latino-americano estivesse em “caos”, os EUA “entrariam para administrá-lo”.
Era, agora, um “mandato”.
O vídeo ainda cita a da construção do Canal do Panamá, a crise dos mísseis em Cuba e a invasão norte-americana na Nicaragua.
Mas é o alerta para o atual momento que chamou a atenção. Ao explicar o sequestro de Nicolás Maduro, o Departamento de Estado afirma que se tratou de “um manobra calculada” para “dar um sinal no hemisfério”: o “domínio nunca mais ver ser questionado”.
Não por acaso, o video é narrado por Kevin Cabrera, embaixador dos EUA no Panamá. “O que começou como alerta aos europeus se transformou em quadro para domínio regional”, completou.
Em pouco mais de cinco minutos, o Departamento de Estado avisa: o continente é nosso.