Deputada do PL que fez blackface muda autodeclaração racial; PSOL aciona Justiça

Fabiana declarou-se branca nas eleições de 2020 e parda em2022; PSOL pede impugnação de candidatura
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A Bancada Feminista do PSOL acionou a Justiça Eleitoral e pediu a impugnação do registro de candidatura da deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP), alegando possível falsidade ideológica eleitoral. O pedido ocorre após a parlamentar alterar novamente sua autodeclaração racial para as eleições de 2026.

Segundo a representação, Fabiana declarou-se branca nas eleições municipais de 2020 e parda no pleito de 2022. Para a disputa deste ano, voltou a se declarar branca. O PSOL sustenta que a mudança pode configurar fraude eleitoral e pede que a deputada também devolva recursos públicos recebidos com base na autodeclaração anterior.

Em 2022, quando se declarou parda, Fabiana recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha destinado a candidaturas de pessoas negras. Para o partido, a alteração na declaração compromete a moralidade, a lisura do processo eleitoral e a igualdade de condições entre os candidatos.

A defesa da deputada afirmou que ela ainda não foi intimada oficialmente sobre a representação e que irá se manifestar no processo.

O caso ganhou repercussão ainda maior após um episódio ocorrido em março, quando Fabiana pintou o rosto e os braços com maquiagem de tom escuro durante uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A manifestação ocorreu durante críticas à eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A conduta foi denunciada como blackface e também gerou acusações de transfobia. Na ocasião, Fabiana questionou se poderia ser considerada negra após utilizar maquiagem para escurecer a pele.

Além do pedido apresentado pelo PSOL, Fabiana é alvo de outra ação de impugnação na Justiça Eleitoral. A Procuradoria Regional Eleitoral do Ministério Público Federal questiona o uso do sobrenome “Bolsonaro” em sua candidatura, por considerar que o nome pode induzir eleitores a acreditar que ela possui parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A deputada, cujo nome civil é Fabiana de Lima Barroso Souza, não tem relação familiar com o ex-presidente.

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