ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Cleber Lourenço

Daniel Vorcaro entrou numa corrida contra o relógio para tentar emplacar uma terceira proposta de delação premiada antes de a Polícia Federal fechar o primeiro grande inquérito sobre as fraudes envolvendo o Banco Master e o BRB. A PF trabalha com a previsão de concluir a investigação até o fim de agosto, com uma lista de indiciamentos que deve incluir o próprio ex-banqueiro.

É justamente nessa reta final que a defesa de Vorcaro voltou a colocar a colaboração premiada no centro da estratégia. O advogado Daniel Bialski, incorporado recentemente à equipe, pediu uma audiência com o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e tenta ampliar o acesso ao cliente para reconstruir a proposta praticamente do zero.

Um dos pedidos é para que os advogados possam conversar com Vorcaro por até seis horas por dia. A intenção é fazer um levantamento completo do que o banqueiro sabe e identificar informações que ainda não tenham chegado aos investigadores. A eventual negociação de um novo acordo deve envolver PF e Procuradoria-Geral da República.

O relógio, porém, joga contra Vorcaro. A PF informou que pretende concluir até o fim deste mês o inquérito sobre as operações entre Master e BRB e apresentar os indiciamentos. Além dele, são esperados na lista Augusto Lima, ex-integrante da cúpula do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

Terceira tentativa precisa trazer novidade

A corrida se torna ainda mais relevante porque as duas tentativas anteriores de Vorcaro fracassaram justamente pela avaliação de que ele entregou pouco diante do que a investigação já havia descoberto.

Segundo relatos de integrantes da PF e da PGR divulgados pela CNN, um dos principais problemas foi a falta de fatos inéditos. Investigadores avaliaram que parte das informações apresentadas pelo banqueiro já aparecia nos mais de dez celulares apreendidos durante a investigação. Também houve divergências sobre a admissão dos crimes e sobre a devolução de recursos.

A nova defesa agora orienta Vorcaro a não esconder informações e tenta reconstruir detalhadamente o que ocorreu no Master, inclusive buscando elementos que possam alcançar personagens do meio político. Não há, porém, garantia de que PF e PGR aceitarão abrir uma terceira negociação.

Não existe um prazo legal que impeça Vorcaro de tentar colaborar depois da conclusão do relatório. A corrida é estratégica: quanto mais fatos a PF conseguir esclarecer e documentar por conta própria antes de uma nova proposta, menor pode ser o valor das informações que o banqueiro ainda tenha para oferecer.

Fontes no STF ouvidas pelo ICL avaliam, porém, que as chances de Vorcaro conseguir emplacar uma proposta de delação considerada promissora devem cair consideravelmente após a entrega do relatório da Polícia Federal, chegando a um patamar “próximo de zero”.

Com o relatório previsto para o fim de agosto e a defesa ainda tentando levantar o que Vorcaro pode acrescentar às investigações, as próximas semanas concentram as duas movimentações: de um lado, a PF tentando fechar sua primeira grande conclusão sobre o Master; do outro, Vorcaro tentando apresentar algo novo antes que os investigadores cheguem lá sozinhos.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail