O capital estrangeiro deixou a B3 em ritmo recorde neste mês. Levantamento da Elos Ayta Consultoria, com base em dados da própria Bolsa, aponta retirada líquida de R$ 15,63 bilhões até a última quinta-feira (13), o pior resultado mensal desde o início da série histórica, em janeiro de 2022.
O montante já ultrapassa o saldo negativo de R$ 13,28 bilhões fechado em maio, que até então era considerado o pior mês da série. Com a nova marca, 2026 concentra as duas piores retiradas mensais de estrangeiros já registradas pela consultoria.
O que mais preocupa analistas do setor é a velocidade da fuga. Enquanto maio somou seu resultado negativo ao longo de 21 pregões, agosto atingiu um patamar ainda pior em apenas nove sessões, sinal de que o movimento de saída ganhou força nas últimas semanas.

Virada abrupta no semestre
O cenário é bem diferente do observado no início do ano. Entre janeiro e março, o fluxo estrangeiro foi positivo em todos os meses, somando R$ 26,31 bilhões, R$ 15,40 bilhões e R$ 11,66 bilhões, respectivamente. Julho também fechou no azul, com entrada de R$ 2,56 bilhões.
A partir de maio, no entanto, a tendência se inverteu por completo. Depois dos R$ 13,28 bilhões retirados naquele mês, junho somou mais R$ 7,79 bilhões em saídas, e agosto, ainda incompleto, já superou os dois períodos anteriores.
Nota metodológica
Os valores levantados pela Elos Ayta não incluem recursos ligados a ofertas iniciais de ações (IPOs) nem a follow-ons, quando empresas já listadas lançam novas ações no mercado. Como agosto segue em curso, o resultado final do mês ainda pode se alterar, mas a trajetória já aponta para o período de maior retirada estrangeira da B3 desde que a série histórica da consultoria começou a ser calculada.