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O dólar voltou a subir nesta terça-feira (18), fechando cotado a R$ 5,22, avanço de cerca de 0,40% em relação ao dia anterior, quando a moeda havia recuado pela primeira vez em seis pregões. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a abrir em alta e bateu máxima de 168,3 mil pontos ainda pela manhã, mas perdeu força ao longo do dia e encerrou em queda de 0,22%, aos 166,4 mil pontos, estendendo para 11 o número de sessões consecutivas de perdas. Na sequência recente, o índice já acumula recuo de cerca de 7%, e no ano o avanço se reduziu a apenas 3,5%, distante dos 23% registrados na máxima de abril.

O cenário externo segue como o principal fator de pressão sobre os mercados. O impasse entre Estados Unidos e Irã em torno da reabertura do Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, mantém investidores em modo defensivo. Teerã reafirmou que a via seguirá bloqueada, e o petróleo tipo Brent avançou para perto de US$ 91, enquanto o WTI, referência para o mercado americano, subiu para cerca de US$ 85. Esse ambiente levou a maioria das bolsas de Ásia, Europa e Wall Street a fechar em queda no mesmo pregão.

No cenário interno, o fluxo de saída de capital estrangeiro da B3 segue como ponto de atenção. Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra retirada líquida de R$ 15,63 bilhões em agosto até o dia 13, o maior volume mensal desde o início da série, em janeiro de 2022, superando inclusive o resultado negativo de maio. Com isso, o ano de 2026 concentra as duas piores marcas mensais já registradas pela consultoria.

O Ibovespa chegou a abrir em alta e bateu máxima de 168,3 mil pontos ainda pela manhã, mas perdeu força ao longo do dia e encerrou em queda, estendendo para 11 o número de sessões consecutivas de perdas (Foto: Reprodução)

Recuperação judicial move o varejo

Parte da movimentação na Bolsa também teve origem em ajustes no setor de varejo, após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia. As ações da rede haviam despencado mais de 33% na sessão anterior e seguiam em queda nesta terça, refletindo o remanejamento de recursos por parte de investidores. Bancos e fabricantes de eletrônicos estão entre os principais credores citados no processo. Parte desses recursos migrou para concorrentes do setor, como Magazine Luiza, cujas ações haviam subido mais de 8% no pregão anterior e se mantinham estáveis nesta terça. Papéis da Americanas, que ainda aguarda decisão sobre o encerramento de sua própria recuperação judicial, também avançaram no período.

Alívio parcial vindo dos juros americanos

Uma notícia trouxe certo alívio ao humor dos mercados: dados do Federal Reserve mostraram que a produção industrial dos Estados Unidos cresceu 0,2% em julho, abaixo da expectativa de 0,3%. Combinado a sinais recentes de perda de vagas de emprego e inflação sob controle na maior economia do mundo, o resultado reduz a probabilidade de uma alta nos juros americanos na reunião de setembro do banco central do país, o que tende a aliviar a pressão sobre moedas e bolsas emergentes.

Ainda assim, o mercado brasileiro carrega uma fonte adicional de cautela desde a semana passada, quando o banco americano JPMorgan reduziu sua recomendação para investimentos no Brasil, citando o aumento esperado de volatilidade ligado à corrida eleitoral. O episódio antecedeu a intensificação da saída de recursos estrangeiros da Bolsa registrada neste mês.

Outros destaques do dia

A Petrobras informou que a perfuração do poço pioneiro de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, deve terminar em cerca de 15 dias, com a etapa seguinte voltada a medir a extensão e o volume recuperável da descoberta. As ações da estatal fecharam entre as poucas em alta no pregão.

A XP divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1,384 bilhão no segundo trimestre, avanço de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita bruta de R$ 5 bilhões. A empresa também sinalizou possibilidade de expandir operações bancárias nos Estados Unidos.

Já a Braskem teve rating rebaixado pela agência Fitch após atrasar o pagamento de juros de dívidas, e sua controlada no México, a Braskem Idesa, deu entrada a um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos.

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