Por Bárbara Sá
(Folhapress) – O empresário Ivo Vel Kos, 48, tornou-se réu sob acusação de lesão corporal contra mulher e ameaça após ser preso por agredir a esposa, a dentista Giulia Melo Falcão Vel Kos, 27, em Pinheiros, na zona oeste em São Paulo, no último sábado (15).
A decisão é da juíza Carla Balestreri, da Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Ela aceitou a denúncia do Ministério Público nesta terça-feira (18) e rejeitou o pedido da defesa para converter a prisão preventiva em domiciliar.

O advogado Davi Gebara, que representa o empresário, disse que não comentará detalhes do processo, pois o caso está sob segredo de Justiça. Ele ainda afirmou que “lamenta que pessoas sem qualquer vínculo com os fatos investigados sejam citadas publicamente, como os familiares do acusado, expondo terceiros que não integram o processo”.
A magistrada também concedeu medidas protetivas de urgência à dentista. O empresário está proibido de manter contato com ela por qualquer meio —pessoalmente, por telefone, canais eletrônicos ou por terceiros— e deverá manter a distância mínima de 300 metros dela, de sua casa, do local de trabalho e de familiares.
Consta na denúncia que após a prisão em flagrante, parentes do empresário teriam trocado as fechaduras da residência do casal, impedindo a entrada da dentista.
Com a decisão, Giulia poderá retornar à casa onde morava com o marido e deverá receber de volta o veículo e os pertences pessoais e profissionais que permaneceram no imóvel. A magistrada considerou que a retirada da mulher de sua própria residência e a privação dos bens configuravam violência psicológica e patrimonial.
As agressões que deram origem à denúncia ocorreram na noite de sexta-feira (14), quando o casal voltava de um jantar. Conforme o Ministério Público de São Paulo, durante uma discussão no carro, Ivo deu diversos socos no rosto e no corpo da mulher.
Já na casa, a violência teria continuado. A dentista relatou ter sido atingida na mão por um taco de beisebol e ameaçada com um dispositivo de choque elétrico.
Ao tentar pedir socorro pelo celular, teve o aparelho retirado pelo marido. Ela também afirmou ter sido ameaçada de morte caso deixasse o imóvel.
Giulia conseguiu fugir e buscou ajuda de vizinhos, que acionaram a Polícia Militar. Ela foi levada à delegacia e posteriormente recebeu atendimento médico.
O laudo do exame de corpo de delito apontou lesões no rosto, na região dos olhos e do nariz, além de ferimento na mão direita.
Para apresentar a denúncia, a promotora de Justiça Fabíola Sucasas considerou o relato da dentista e as lesões observadas pelos policiais que atenderam a ocorrência.
Também levou em conta a admissão do empresário de que havia dado um soco no rosto da mulher.
O Ministério Público afirma que o episódio não teria sido isolado. A vítima relatou um histórico de agressões, ameaças de morte, controle e perseguição, além de episódios de enforcamento, sufocamento e estrangulamento.
Para Sucasas, os elementos reunidos apontam uma escalada da violência e justificam a manutenção da prisão preventiva para preservar a integridade física e psicológica da dentista e evitar novas agressões.
A defesa pediu que Ivo cumprisse prisão domiciliar por questões de saúde.
A juíza rejeitou o pedido por considerar que os documentos apresentados não comprovaram condição que justificasse a substituição da prisão preventiva.
Empresário diz que foi atacado
Ivo Kos apresentou uma versão diferente em depoimento à polícia. Ele negou ter agredido a mulher dentro do carro e afirmou que foi atacado por ela com socos e chutes.
No depoimento, ele disse que a discussão começou quando o casal voltava de um jantar. Afirmou também que a dentista teria ficado alterada após ingerir bebidas alcoólicas e começado a agredi-lo durante o trajeto.
Kos afirmou que parou o veículo para que a mulher descesse, quando ela teria pegado uma pedra e quebrado os vidros dianteiro e traseiro do carro.
Ele disse que foi a dentista quem retirou o taco de beisebol do porta-malas e tentou atingi-lo. Kos relatou ainda que, já na residência, a mulher teria quebrado uma garrafa de bebida alcoólica e tentado golpeá-lo.
A autoridade policial determinou a prisão em flagrante sob suspeita de lesão corporal e ameaça, com aplicação da Lei Maria da Penha.