Edu Moreira: chefe do programa econômico de Flávio foi conselheira do banco de Edir Macedo

Daniella Marques integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais, ligado à Igreja Universal; instituição é investigada pela PF
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Daniella Marques, principal nome da equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL), integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais, instituição controlada pelo grupo ligado ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A atuação da ex-presidente da Caixa no banco foi apresentada pelo fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, durante o programa ICL Notícias – 1ª edição desta segunda-feira (24).

O Digimais é investigado pela Polícia Federal em uma apuração que busca identificar possíveis irregularidades na instituição. A investigação também levantou suspeitas sobre a existência de práticas semelhantes às atribuídas ao Banco Master.

Durante o programa, Moreira questionou a escolha de Daniella como principal referência econômica de Flávio e criticou a forma como a equipe do senador vem sendo apresentada ao público.

“Qual é o principal nome econômico do Flávio Bolsonaro? Daniella Marques, ela é o principal nome econômico, tanto é que eles apelidaram do ‘Posto Ipiranga’ do Flávio, em alusão ao Paulo Guedes, que tem doutorado em Chicago, etc, fez o país ficar com a maior inflação do mundo no período da pandemia, um país que tem petróleo e alimento, ou seja, não tem desculpa”, afirmou.

Eduardo Moreira falou sobre a formação de Daniella, que não é economista, e chamou atenção para a passagem de Daniella pelo Conselho de Administração do Digimais. “A Daniella Marques que fala muito bem, é convincente, vai muito bem em entrevista, é perigosa, não podemos subestimar, ela é habilidosa e talentosa em entrevista. Mas, ninguém fala que o principal nome econômico do Flávio Bolsonaro não é uma economista. Ela é formada em Administração, aí depois fez um MBA em Finanças, que é o famoso pagou levou”.

“Sabe qual é o último lugar onde ela trabalhou fazendo parte do Conselho de Administração, aquele que deve zelar para que a empresa seja bem administrada? O banco Digimais, que é banco do Edir Macedo, é o banco da Universal, é o novo Master, Master 2.0. É o mesmo esquema, essa é a acusação e está em investigação: inflar a estrutura de ativos para poder captar dinheiro das pessoas em cima de uma coisa que o banco não tem. O rombo estimado é de 8 bilhões de reais. Quem estava no Conselho é o ‘Posto Ipiranga’ do Flávio Bolsonaro. Por que ninguém fala sobre isso?”, disse.

“Resumindo, a principal economista do Flávio Bolsonaro não é economista e o último emprego que ela teve foi no Conselho de Administração do Digimais, que é um banco que está envolvido em 1 milhão de problemas por causa das investigações para ver se não é o novo Banco Master”, afirmou.

Eduardo Moreira e Heloísa Vilella durante o ICL Notícias - 1ª edição. (Foto: Reprodução/ ICL Notícias)
Eduardo Moreira e Heloísa Vilella durante o ICL Notícias – 1ª edição. (Foto: Reprodução/ ICL Notícias)

Equipe econômica de Flávio

Na última semana, a equipe econômica de Flávio Bolsonaro ganhou sete novos integrantes para a elaboração das propostas técnicas que deverão fazer parte do plano de governo. Os nomes se juntam a Daniella Marques e ao ex-ministro da Economia Adolfo Sachsida. Passaram a integrar o grupo: Alexandre Messa; Alexandre Ywata; Andrei Spacov; Arilton Teixeira; Eduardo Cavendish Carvalho; Myrian Prado;
Vladimir Kühl Teles.

Novos integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução/ ICL Notícias)
Novos integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução/ ICL Notícias)

Moreira também criticou a maneira como os integrantes vêm sendo apresentados, especialmente pela ênfase em títulos acadêmicos obtidos em universidades estrangeiras.

“Eu estava vendo nas redes sociais dos sites que são supostamente os isentões e falam que ‘Flávio Bolsonaro indicou a sua equipe’ e aí tinha que tinha mestrado, doutorado no MIT, doutorado em Chicago e isso passa para as pessoas aquela impressão do técnico, como se não tivessem políticos, como se fossem os melhores independente de partido. É isso que eles querem passar”, afirmou.

Para Moreira, títulos acadêmicos obtidos em universidades de prestígio não são, por si só, garantia de que um profissional terá bom desempenho na condução da economia.

“Se você for pegar as pessoas responsáveis pelo caos econômico que o Brasil já viveu, por exemplo, Francisco Lopes, quem não se lembra do Chico Lopes da Banda Diagonal Exógena, daquela maluquice que fez com o câmbio que culminou na desvalorização cambial e o caos na economia brasileira. Ele é PhD em economia por Harvard. O Gustavo Franco que teve duas passagens pelo governo, uma ruim e a outra péssima, ele também é PhD em economia por Harvard”.

“O Armínio Fraga que se coloca em todos os programas como sendo aquele cara que tem a solução pro Brasil, ele entregou o país com uma inflação de 12%, já com o Plano Real, já em regime de meta. Esse é o ‘gênio’ Armínio Fraga, ele tem PhD em Princeton”, disse.

O fundador do ICL também comparou o ensino de economia nos Estados Unidos e no Brasil e afirmou que a formação no exterior não necessariamente significa maior conhecimento sobre a realidade brasileira.

“Eu estudei economia lá nos Estados Unidos, o que se ensina de economia nos Estados Unidos sobre economia é a mesma coisa que se ensina em uma faculdade aqui. O que se ensina em um mestrado lá é a mesma coisa que se ensina em um mestrado aqui, da teoria econômica. Com quais diferenças? Primeiro, aqui você estuda muito mais o caso brasileiro. Lá, o caso brasileiro é uma pontinha da história. O cara que estudou lá fora não sabe mais de Brasil que o cara que se especializou, teve vivência, etc, aqui dentro”, afirmou.

Moreira ainda criticou a relação entre as universidades norte-americanas e o mercado financeiro.

“Segundo lugar, essas principais universidades, principalmente nas áreas de doutorado, mestrado e MBA nos Estados Unidos, elas têm uma estrutura de financiamento bancada pelas grandes empresas e pelos grandes bancos. Os principais alunos das universidades de Princeton, de MIT, saem para trabalhar na Goldman Sachs e outros grupos financeiros”.

“O grande público acha que estamos falando dos bambambãs, mas eles sempre estiveram no Brasil nos bancos ganhando dinheiro das pessoas, e no governo quebrando os governos e vendendo as coisas dos governos de mão beijada. É o que se aprende nos Estados Unidos, eles são pagos por isso. Esses caras não vão estudar nos Estados Unidos para mudar o país, eles vão estudar nesses lugares para ficar ricos e você não fica rico ajudando o país, você fica rico trabalhando na Goldman Sachs, tirando dinheiro do país e incentivando privatização e essas coisas”, afirmou.


 

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